Quase duas décadas após a intensa temporada de 2007, a rivalidade entre Fernando Alonso e Lewis Hamilton na Fórmula 1 segue como tema de debates. Agora, Jacques Villeneuve, campeão mundial de 1997, opinou sobre o assunto e defendeu o espanhol, apontando o então chefe da McLaren, Ron Dennis, como responsável por “destruir o equilíbrio interno” da equipe naquele ano.
Em participação no Red Flags Podcast, Villeneuve relembrou os bastidores da temporada em que Alonso, recém-chegado como bicampeão mundial, se viu diante de um cenário que não esperava. Segundo o canadense, Dennis teria colocado todo o apoio da equipe sobre o estreante Hamilton, algo que minou a relação com o espanhol desde o início. “É preciso lembrar que a McLaren contratou o Alonso como bicampeão mundial. Ele foi contratado para os patrocinadores e tudo mais. Mas depois o Ron Dennis anunciou o Hamilton e basicamente disse: ‘Ok, Hamilton é o nosso campeão, não gostamos de você, Fernando’. Desculpe, mas isso não faz sentido”, criticou Villeneuve.

O canadense reforçou que a postura da liderança da McLaren não deixou opções a Alonso além de reagir. “Quando um chefe de equipe desequilibra internamente uma equipe desse jeito, você precisa lutar de volta. Foi o que aconteceu. Alonso não estava em condições justas naquele momento e precisou travar sua própria batalha sozinho dentro do time. Isso acabou destruindo a equipe”, afirmou.
A temporada de 2007 é lembrada como uma das mais dramáticas da história da Fórmula 1. Hamilton, ainda novato, e Alonso, bicampeão em busca de mais um título, dividiram a equipe e acabaram tirando pontos preciosos um do outro. O beneficiado foi Kimi Raikkonen, que, pilotando pela Ferrari, conquistou o título por apenas um ponto de vantagem, em uma das viradas mais memoráveis da categoria.
O impacto da rivalidade foi profundo. Além de perder o campeonato, a McLaren viu a relação com Alonso ruir. O espanhol deixou a equipe após apenas uma temporada e voltou à Renault em 2008, marcando o início de um período turbulento em sua carreira, mas também reforçando a imagem de que 2007 foi um ano decisivo para sua trajetória.

Villeneuve, que foi companheiro de Alonso na Renault em 2004, destacou que a situação vivida pelo espanhol em Woking foi especialmente injusta, considerando o nível de experiência e conquistas que ele trazia. Para o canadense, a pressão criada dentro da própria McLaren minou as chances de o espanhol mostrar todo o seu potencial.
Já Hamilton, por sua vez, brilhou logo em sua estreia, chegando ao vice-campeonato e revelando o talento que viria a transformá-lo em heptacampeão mundial. Ainda assim, Villeneuve sustenta que a narrativa de que o britânico teria “superado” Alonso naquele ano não reflete o quadro completo. “Não se trata apenas de comparar pontos ou posições. É preciso ver o que aconteceu dentro da equipe. Fernando não teve o mesmo tratamento, e isso mudou tudo”, concluiu.
O episódio segue vivo na memória da Fórmula 1 como exemplo de como a gestão de equipe pode ser determinante não apenas para os resultados em pista, mas também para as relações entre pilotos de ponta. Para Villeneuve, o erro de Ron Dennis em 2007 serviu de lição: o equilíbrio interno é essencial para que talentos de alto nível possam brilhar plenamente.
