Holandês vê lógica na escolha por um chefe técnico e evita especular sobre possível reaproximação fora da Red Bull
A nomeação de Adrian Newey como chefe de equipe da Aston Martin para a temporada 2026 não passou despercebida por Max Verstappen. Em meio a um paddock já em clima de transição regulatória e reorganização de forças, o tetracampeão mundial tratou o tema com naturalidade — mesmo com rumores apontando que Gianpiero Lambiase, seu engenheiro de longa data, poderia seguir o mesmo caminho rumo a Silverstone.
Newey, o projetista mais vitorioso da história da Fórmula 1, deixou a Red Bull Racing após mais de uma década de sucesso e quatro títulos consecutivos com Verstappen entre 2021 e 2024. Agora, assume uma função inédita em sua carreira: liderar uma equipe como team principal, enquanto Andy Cowell passa a atuar como diretor de estratégia, gerenciando a complexa relação entre Aston Martin, Honda e Aramco.
“É uma tendência que estamos vendo”
Questionado sobre a promoção de Newey, Verstappen enxergou a decisão como parte de um movimento mais amplo dentro da Fórmula 1 moderna, que vem entregando o comando das equipes a perfis cada vez mais técnicos.
“É algo que você vê em mais equipes”, afirmou o holandês. “Pessoas com uma formação mais técnica estão assumindo o papel de chefe de equipe, e acho que a Aston Martin está seguindo esse mesmo caminho.”
Verstappen evitou qualquer julgamento sobre como a nova função pode impactar diretamente o trabalho de Newey no desenvolvimento do carro, mas fez questão de demonstrar confiança.
“Você teria que perguntar a eles por que optaram por isso, mas essa é a explicação mais lógica para mim”, seguiu. “Fico feliz em ver isso. Não sei o quanto isso vai mudar o envolvimento do Adrian com o carro, mas tenho certeza de que ele vai se sair bem.”

Um Newey diferente, em um ambiente diferente
O piloto da Red Bull também afirmou não saber se Newey sempre teve a ambição de liderar uma equipe — algo que nunca esteve em pauta durante sua passagem por Milton Keynes.
“O tempo vai dizer, certo? Eu nunca falei com o Adrian sobre isso”, disse. “Na Red Bull isso nunca foi uma opção, então eu não sei qual era a ambição dele.”
Verstappen destacou ainda que, agora, Newey vive um contexto completamente novo.
“Ele está em um ambiente diferente, em outra equipe, e eu não consigo enxergar de dentro como as coisas funcionam lá”, explicou. “Não sei exatamente por que ou como aconteceu essa promoção, mas estou aqui tranquilo, feliz por ele, e espero que a equipe se beneficie do conhecimento que ele tem.”
Lambiase no radar e silêncio estratégico
O pano de fundo dessa movimentação é reforçado pelos rumores de que Gianpiero Lambiase, engenheiro que acompanha Verstappen desde 2016 e uma das figuras mais influentes do seu sucesso na Fórmula 1, estaria em conversas com a Aston Martin para assumir um cargo de alto nível, possivelmente até na estrutura executiva da equipe.
Uma eventual saída de Lambiase representaria uma ruptura significativa no núcleo esportivo de Verstappen. Ainda assim, o holandês mantém o discurso de estabilidade. Com contrato vigente com a Red Bull até 2028, ele evita alimentar especulações sobre movimentos futuros — seus ou de pessoas-chave ao seu redor.
A Aston Martin acelera sua transformação para 2026 reunindo nomes de peso, enquanto Verstappen observa à distância, consciente de que a nova Fórmula 1 será tão decidida fora da pista quanto dentro dela.
