F1: Verstappen explica o que seria necessário para fazê-lo mudar de equipe na Fórmula 1

Holandês deixa claro que a decisão vai muito além de ter — ou não — um carro competitivo

Mesmo após uma temporada de 2025 marcada por altos e baixos e por rumores intensos nos bastidores, Max Verstappen tratou de colocar limites claros sobre qualquer especulação envolvendo uma possível troca de equipe na Fórmula 1. Para o tetracampeão, a equação é muito mais complexa do que simplesmente avaliar desempenho técnico ou resultados pontuais na pista.

Antes da pausa de verão do último campeonato, o nome de Verstappen foi fortemente associado à Mercedes, em um movimento que chegou a ser admitido publicamente por ambas as partes como conversas exploratórias. Ainda assim, o holandês fez questão de esfriar qualquer leitura mais dramática sobre aquele momento.

Em entrevista à BBC Sport, Verstappen foi direto ao explicar como enxerga seu futuro na categoria:
“Para mim, não se trata apenas de Fórmula 1. Há muitas coisas que precisam se encaixar para que eu faça uma mudança como essa. Futuros papéis e coisas do gênero.”

A declaração revela uma visão de carreira mais ampla, que ultrapassa o cockpit e o cronograma de corridas. Hoje, Verstappen não se vê apenas como um piloto avaliando o próximo contrato, mas como alguém construindo um projeto de longo prazo dentro — e fora — da F1.

Red Bull como extensão da própria carreira

Desde que chegou à Red Bull Racing em 2016, Verstappen construiu uma relação que vai além do profissional. Ele próprio reconhece isso ao falar da equipe como uma segunda família.

“Se eu mudasse de equipe, é claro que seria uma grande mudança para mim, porque esta [Red Bull] parece uma segunda família, e isso não é fácil de reproduzir”, afirmou.

Esse vínculo ajuda a explicar por que, mesmo em momentos de instabilidade técnica, o holandês nunca tratou a saída como um movimento automático ou impulsivo. Para ele, um carro menos competitivo não é, por si só, um gatilho suficiente.

“Mudar de equipe, se é que eu vá fazer isso, não é apenas porque preciso de um carro mais rápido ou porque preciso de uma mudança no ambiente. Há muitas coisas relacionadas à minha carreira na F1 e coisas que faço fora da F1 que precisam ser resolvidas.”

LUSAIL CITY, QATAR - NOVEMBER 30: Race winner Max Verstappen of the Netherlands and Oracle Red Bull Racing celebrates on arrival in parc ferme during the F1 Grand Prix of Qatar at Lusail International Circuit on November 30, 2025 in Lusail City, Qatar. (Photo by Andrew Ferraro/LAT Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202511300657 // Usage for editorial use only //
Foto: Red Bull Content Pool

Conversas, mas sem compromisso

Questionado sobre os contatos com a Mercedes durante a fase mais difícil da Red Bull em 2025, Verstappen fez questão de reduzir o peso dessas negociações. Segundo ele, tudo ocorreu de forma transparente e sem qualquer intenção concreta de ruptura.

“Não vou mentir. É claro que houve conversas, já reconheci isso antes. Mas, ao mesmo tempo, foi tudo muito amigável e aberto. Nada mais”, explicou.

O tom reforça que o diálogo com Toto Wolff não passou de uma troca natural de ideias em um paddock onde todos se conhecem — e onde conversas não significam, necessariamente, planos em andamento.

2026 como ponto de inflexão

O cenário para 2026, no entanto, adiciona novas camadas à discussão. A Red Bull viverá seu primeiro ano com unidades de potência próprias, sem Adrian Newey no comando técnico e após saídas relevantes da estrutura que sustentou o ciclo mais dominante da equipe. Naturalmente, isso alimenta especulações.

Nesse contexto, a Aston Martin surge como um nome recorrente nos bastidores, especialmente pelo projeto ambicioso liderado por Newey e pela chegada da Honda como fornecedora exclusiva de motores.

Ainda assim, pelas próprias palavras de Verstappen, qualquer mudança dependeria de um alinhamento profundo entre projeto esportivo, ambiente humano e objetivos de vida. Não é apenas sobre vencer corridas — é sobre onde, como e com quem ele quer escrever os próximos capítulos da sua carreira.

No fim, a mensagem é clara: se um dia Verstappen deixar a Red Bull, não será por impulso, nem por um ano difícil. Será porque tudo, absolutamente tudo, fez sentido ao mesmo tempo.



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