A Fórmula 1 viveu um segundo semestre marcado por reviravoltas, e Max Verstappen revelou como encarou um cenário pouco comum em sua carreira recente. Após a pausa de meio de ano, o piloto da Red Bull passou a ser visto como o “azarão” na disputa direta contra os dois pilotos da McLaren, mesmo vindo de temporadas dominantes na F1. O próprio holandês admitiu que, naquele momento, chegou a duvidar se realmente estaria no páreo pelo título.
O início da campanha após as férias não foi simples. Verstappen viu a McLaren ganhar força e, em determinado ponto, acreditou que a disputa poderia escapar. Ainda assim, a reação foi consistente. No GP de Abu Dhabi, ele cruzou a linha de chegada apenas dois pontos atrás de Lando Norris, resultado que simbolizou uma recuperação sólida até o fim do campeonato.
Um fator decisivo para essa virada foi a escolha da Red Bull Racing de prolongar o pacote de atualizações do carro. A decisão partiu, em grande parte, de pedidos do próprio Verstappen, que acreditava haver margem para evolução mesmo quando o cenário parecia desfavorável. A estratégia se mostrou acertada. Após a pausa de agosto, o tetracampeão subiu ao pódio em todas as corridas disputadas, conquistando seis vitórias nesse período.
Apesar de terminar a temporada como vice-campeão, Verstappen avaliou positivamente a experiência de correr sob menos favoritismo. Em participação no podcast Talking Bull, o piloto comentou como foi lidar com esse novo papel. “Sim, é surpreendente ser o azarão. Naturalmente, quando você está nessa posição, as pessoas começam a apoiá-lo um pouco mais. Talvez elas finalmente comecem a perceber quem eu sou, quem eu realmente sou”, afirmou.

Conhecido por evitar performances fora da pista, Verstappen reforçou que não pretende mudar sua postura no paddock. Segundo ele, a autenticidade sempre foi um valor central em sua carreira na Fórmula 1. “Nunca tentei ser uma pessoa falsa no paddock. Eu não sou assim. Especialmente na F1, quando você tem muito sucesso, é fácil perder essa referência”, explicou.
Para o holandês, manter os pés no chão depende das pessoas ao redor. Verstappen destacou a importância de contar com familiares e amigos próximos, capazes de apontar quando algo foge do normal. “É fundamental ter pessoas que digam se você está agindo de forma estranha. Tenho muita sorte de ter uma ótima família e bons amigos”, concluiu.
A temporada pode não ter terminado com o título, mas a reação após as férias consolidou Verstappen como um competidor resiliente, capaz de se reinventar mesmo quando o favoritismo já não estava do seu lado.
