Fred Vasseur admitiu que subestimou o impacto da decisão da Ferrari de abandonar precocemente o desenvolvimento do carro da temporada 2025 da Fórmula 1. O chefe da equipe reconheceu que a escolha teve efeitos mais profundos do que o esperado ao longo de uma temporada marcada por dificuldades.
Perto do fim de um complicado campeonato, o dirigente revelou que os principais trabalhos aerodinâmicos foram interrompidos já em abril, permitindo que a equipe direcionasse totalmente seus recursos para 2026, ano que trará uma profunda reformulação no regulamento técnico da Fórmula 1.
A mudança de foco teve consequências claras nos resultados. A Ferrari saiu de uma desvantagem de apenas 14 pontos para a McLaren no campeonato de 2024 para um abismo de 435 pontos em 2025, terminando a temporada na quarta colocação e sem conseguir acompanhar o ritmo de McLaren, Mercedes e Red Bull, todas capazes de seguir evoluindo seus carros ao longo do ano.

Ao refletir sobre a decisão, Vasseur explicou que houve um erro de avaliação quanto ao impacto interno da estratégia, embora tenha defendido a escolha em si. “Algo estava faltando, provavelmente sim, porque no fim das contas, quando decidimos focar em 2026, isso significava que não estávamos confiantes de conseguir alcançar a McLaren até o fim de 2025”, afirmou.
“Esse foi o raciocínio por trás da escolha e, honestamente, acho que foi uma boa decisão”, acrescentou, reforçando que o problema não esteve na estratégia técnica, mas em seus efeitos colaterais.
Vasseur concluiu destacando a dificuldade de manter o ambiente interno quando o desenvolvimento é interrompido. “O que eu provavelmente subestimei, pessoalmente, foi o fato de que, quando você sabe que não vai mais desenvolver o carro, fica mais difícil manter todo mundo, motivado não é a palavra certa, mas com expectativas, e isso é importante. Como equipe, precisamos permanecer na nossa bolha e lidar com esse tipo de situação.”
