A temporada 2026 da Fórmula 1 promete ser uma das mais complexas dos últimos anos, marcada por uma profunda reformulação técnica nos carros e nas unidades de potência. Para Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari, o desempenho puro mostrado nos primeiros testes de pré-temporada terá pouca relevância prática, já que as equipes ainda estarão longe da versão definitiva que alinhará no GP da Austrália, etapa de abertura do campeonato.
A Fórmula 1 entrará em uma nova era em 2026, com mudanças significativas no chassi e na unidade de potência. Os carros serão menores, mais leves e com maior protagonismo da parte elétrica, alterando completamente o comportamento em pista e a forma como equipes e pilotos extraem desempenho. Diante desse cenário, a pré-temporada também será diferente, com três blocos de testes: Barcelona, entre 26 e 30 de janeiro, seguido por duas sessões no Bahrein, de 11 a 13 e de 18 a 20 de fevereiro.
O teste de Barcelona terá caráter privado, sem acesso do público, justamente para permitir que as equipes se adaptem às novas regras antes do início oficial da temporada, marcado para o fim de semana de 6 a 8 de março, na Austrália. Para Vasseur, esse período inicial será muito mais voltado à coleta de dados e à confiabilidade do que à busca por tempos rápidos.
“Não estamos acostumados a nove dias de testes. Nas últimas quatro ou cinco temporadas, tivemos apenas três”, afirmou o francês. “É uma vantagem, mas também um programa completamente diferente”. Segundo ele, o foco inicial da Ferrari será garantir quilometragem suficiente para entender o carro e evitar problemas semelhantes aos enfrentados no início de 2025, quando a equipe perdeu referências importantes logo nas primeiras etapas.
Vasseur destacou que, em um regulamento tão novo, compreender a confiabilidade do carro será essencial. “O primeiro objetivo é ganhar quilometragem, entender onde precisamos melhorar e a que precisamos reagir. Se você entende algo apenas no Bahrein, já não há tempo de reagir para a Austrália”, explicou. Por isso, Barcelona será encarada como uma fase de aprendizado, não de comparação direta com os rivais.

O dirigente acredita que praticamente todas as equipes chegarão ao primeiro teste com um carro em configuração inicial, algo próximo de um “spec A”, bastante diferente da versão que efetivamente disputará o início do campeonato. Na visão do chefe da Ferrari, isso torna qualquer leitura antecipada de desempenho pouco confiável.
Para Vasseur, o que realmente definirá a nova era da Fórmula 1 será a capacidade de desenvolvimento ao longo do ano. “Não se trata da primeira imagem da temporada ou da classificação da Austrália. O mais importante será a velocidade de desenvolvimento”, afirmou. A Ferrari, que encerrou 2025 em quarto lugar no campeonato de construtores, vê 2026 como uma oportunidade de voltar à luta por títulos após um longo período de jejum.
“O campeonato não termina na Austrália, independentemente de estarmos em primeiro ou décimo. Será uma temporada longa para todos”, concluiu o francês, reforçando que paciência e adaptação serão palavras-chave no novo ciclo da Fórmula 1.
