A Ferrari voltou a demonstrar incômodo com a mudança promovida pela FIA no procedimento de largada da Fórmula 1 em 2026. O chefe da equipe, Frederic Vasseur, afirmou que a alteração prejudicou equipes que investiram no desenvolvimento de sistemas específicos para largadas mais eficientes.
O tema ganhou força já nos testes de pré-temporada no Bahrein, quando ficou evidente que algumas equipes tinham desempenho muito diferente nas largadas. Enquanto a Ferrari mostrava vantagem clara nessa área, a Mercedes enfrentava dificuldades para colocar seus carros em movimento rapidamente.
As diferenças estavam ligadas às filosofias adotadas por cada fabricante de unidade de potência. A Ferrari optou por um turbo menor para acelerar o processo de preparação do carro antes da largada, mesmo abrindo mão de parte da potência máxima. Já a Mercedes seguiu um conceito mais tradicional, assumindo o risco de perder posições logo após o apagar das luzes, algo que aconteceu nas primeiras etapas do campeonato.
O debate aumentou ainda mais depois de declarações de George Russell, que sugeriu que algumas equipes defendiam interesses próprios diante das mudanças. O britânico afirmou que a FIA tentou facilitar a situação ao eliminar o limite de recuperação de energia, mas destacou que ‘muitas vezes as pessoas têm visões egoístas e querem fazer o melhor para si mesmas’.
Em entrevista ao The Race, Vasseur ironizou a situação ao comentar que, sem o sistema de luz azul adotado pela FIA, ‘alguns carros ainda estariam no grid na China’. O chefe da Ferrari afirmou que a entidade tinha direito de agir por questões de segurança, mas considerou injusto alterar as regras depois de algumas equipes terem investido pesado nesse conceito.

“Fui à FIA há um ano e conversamos sobre isso. Falamos disso no SAC e também no PUAC. Gostei muito da resposta da FIA de que você deve projetar o carro para o regulamento, não o regulamento para o seu carro”, afirmou o francês. Segundo ele, parte do grid usou argumentos políticos para pressionar pela mudança. “Ter metade do grid reclamando que era extremamente perigoso foi politicamente bem jogado, mas não muito justo”, acrescentou.
Vasseur reconheceu que a FIA tinha autoridade para intervir em nome da segurança, independentemente da opinião das equipes. Ainda assim, ressaltou que a Ferrari acabou penalizada após desenvolver sua unidade de potência baseada justamente nessas características de largada.
O dirigente ainda sugeriu que existia outra alternativa para resolver a situação sem modificar o regulamento tão perto do início da temporada: “Entendo o que fizeram por segurança, mas outra opção seria pedir para essas equipes largarem dos boxes se acreditavam que não era seguro. Para nós, também foi uma escolha de desenvolvimento. Criamos o motor com esse critério e, de certa forma, mudaram a regra na última hora”, finalizou Vasseur.
