F1: Vasseur critica FIA após mudança em procedimento de largada

A Ferrari demonstrou forte insatisfação com uma mudança de regulamento implementada pela Fórmula 1, ainda no início da temporada 2026. A equipe italiana considera que a alteração, feita por motivos de segurança, acabou prejudicando uma vantagem técnica conquistada no desenvolvimento do seu carro.

Essas modificações passaram a valer no GP de Miami e alteraram os procedimentos de largada, após preocupações envolvendo carros que apresentavam aceleração muito baixa logo após a liberação da embreagem. A FIA introduziu um novo sistema de detecção de baixa potência nas largadas para evitar possíveis riscos de segurança.

Antes do início da temporada, a Ferrari havia bloqueado tentativas de alterar as regras relacionadas às largadas. A equipe de Maranello desenvolveu uma solução própria para o problema e conseguiu transformar isso em vantagem competitiva nas primeiras etapas do campeonato.

Lewis Hamilton e Charles Leclerc chamaram atenção nas primeiras corridas de 2026, pelas largadas extremamente eficientes da Ferrari. Isso aconteceu graças à decisão da equipe de utilizar um turbo menor em sua unidade de potência deste ano.

Oscar Piastri (AUS) McLaren F1 Team MCL40 takes the lead at the start of the race.
Foto: XPB Images

Fred Vasseur, chefe da Scuderia, afirmou que a Ferrari acabou sendo penalizada justamente por ter encontrado uma solução eficiente dentro do regulamento: “O equilíbrio era se queríamos ganhar um décimo por volta ou perder cinco posições na largada? Se você perguntar aos engenheiros, eles vão escolher ter uma boa largada”, afirmou.

O dirigente também relembrou que a Ferrari alertou a FIA sobre o tema anteriormente, mas não recebeu apoio naquele momento: “Fui à FIA um ano atrás e falamos sobre isso. Falamos no SAC e também no PUAC”, disse Vasseur. Segundo ele, a resposta da entidade foi clara: “Você precisa desenhar o carro para o regulamento, não o regulamento para o seu carro”.

Apesar disso, Vasseur acredita que a pressão política de parte do grid acabou influenciando a mudança nas regras: “Então, ter metade do grid, 40% do grid reclamando que era extremamente perigoso foi politicamente muito bem jogado, mas não muito justo”, afirmou.

Mesmo contrariado, o chefe da Ferrari reconheceu que a FIA tinha autoridade para agir por questões de segurança: “Foi uma decisão baseada em segurança. Cabe a eles”, acrescentou.

Ainda assim, Vasseur reforçou que a equipe italiana foi prejudicada após investir no desenvolvimento da unidade de potência dentro das regras originalmente estabelecidas: “Para nós foi uma escolha de desenvolvimento e, de certa forma, mudaram a regra no último minuto”, finalizou o chefe da equipe italiana.