A Fórmula 1 entrou na reta final da pré-temporada no Bahrein com as equipes finalmente buscando desempenho de forma mais aberta. Embora ainda seja cedo para definir uma hierarquia clara antes do GP da Austrália, algumas tendências começam a se consolidar no paddock da F1, especialmente entre as quatro principais forças do campeonato.
Ao longo das duas semanas de testes, nenhuma equipe quis assumir o rótulo de favorita. A Mercedes apontou a Red Bull como referência, a McLaren mencionou Ferrari e Mercedes como candidatas, enquanto a Red Bull indicou novamente a equipe alemã como principal ameaça. Apesar desse jogo de declarações, há um consenso crescente de que McLaren, Mercedes, Red Bull e Ferrari seguem formando o grupo da frente.
Zak Brown, chefe da McLaren, reconheceu esse cenário. “Acredito que estaremos entre as quatro grandes. Não acho que estamos na frente desse grupo, mas será uma temporada longa e com muito desenvolvimento”, afirmou. O dirigente também destacou que, com regulamentos técnicos amplamente renovados, a evolução ao longo do ano poderá alterar o equilíbrio inicial.
A Ferrari chamou atenção no penúltimo dia ao apresentar soluções aerodinâmicas ousadas. A equipe iniciou 2026 com um carro especificação A, focando fundamentos antes de introduzir atualizações. No início da segunda semana, trouxe uma nova beam wing atrás do escapamento. Em seguida, Lewis Hamilton testou um elemento traseiro radical que se invertia em retas. O componente foi classificado como item de teste e retirado no período da tarde para as simulações longas.

Mesmo tendo passado discretamente pela primeira semana, a Ferrari emergiu como uma das equipes mais impressionantes no Bahrein. As largadas chamaram atenção, assim como o ritmo consistente, sugerindo que pode iniciar o campeonato entre as protagonistas.
Se Ferrari evoluiu, a Aston Martin enfrentou dificuldades. Fernando Alonso completou apenas 68 voltas no dia, com a sessão da tarde encerrada de forma prematura após a Honda identificar um problema na unidade de potência. Como precaução, o carro foi parado na pista, encerrando a participação do espanhol na pré-temporada.
“Era importante somar quilometragem, mas não foi suficiente. Não conseguimos completar o plano por causa de um problema relacionado à unidade de potência”, declarou Alonso. Ele reforçou que a equipe trabalha intensamente para encontrar soluções antes da estreia.
Já a Mercedes viveu um dia praticamente impecável. George Russell e Kimi Antonelli somaram 157 voltas sem contratempos. O chefe de pista Andrew Shovlin destacou que a alta quilometragem ajudou a recuperar parte do tempo perdido na semana anterior.

Antonelli, em sua última sessão noturna, rodou com baixo combustível e registrou o melhor tempo do dia. Ainda assim, manteve cautela. “Conseguimos cumprir tudo o que planejamos e terminar em primeiro. Isso é positivo, mas as diferenças na frente já são de centésimos”, afirmou.
Com apenas um dia restante de testes, a Fórmula 1 segue sem uma definição clara sobre quem lidera. Porém, o grupo das quatro grandes parece intacto, prometendo uma abertura de temporada extremamente disputada em Melbourne.
