A Fórmula 1 viveu uma das transferências mais marcantes da história quando Michael Schumacher acertou com a Ferrari. Segundo Jean Todt, ex-chefe da Scuderia, a negociação foi surpreendentemente rápida e concluída em apenas um dia.
Schumacher era o nome mais cobiçado do mercado da Fórmula 1 em 1995. O alemão já havia conquistado um título com a Benetton e caminhava para o segundo campeonato em apenas sua quarta temporada completa na categoria, enquanto a equipe também se aproximava de seu único título de construtores.
O cenário técnico da categoria também abriu caminho para a movimentação. Com a saída da Renault da F1, tanto a Benetton quanto a Williams passaram a utilizar motores desenvolvidos pela Mecachrome, criando uma oportunidade para a Ferrari agir rapidamente.
Todt explicou que a equipe italiana ainda estava em reconstrução naquele momento: “Em 1995, ainda estávamos reconstruindo a equipe e sabíamos que 1996 seria o ano para realmente tentar. Muitas vezes, entre engenheiros, o pessoal do chassi dizia que não tínhamos um bom motor, o pessoal do motor dizia que não tínhamos um bom chassi, e acima de tudo, não tínhamos bons pilotos”, disse ele.
Com isso, a Ferrari decidiu apostar no melhor nome disponível: “Pensamos que, para garantir que ninguém pudesse dizer isso, ter Michael, o melhor piloto, era essencial, mas tivemos que convencê-lo”, afirmou o ex-dirigente.

A negociação foi direta e rápida: “Discutimos isso no início de 1995, depois passamos um dia em Monte Carlo, nosso advogado Henri Peter e eu, com Michael e Willi Weber (ex-empresário de Schumacher), e após um dia assinamos o contrato”, revelou Todt.
Mas antes disso, a Ferrari havia tentado contratar Ayrton Senna para 1995, mas o acordo não avançou. O brasileiro queria ingressar na equipe um ano antes, o que exigiria romper contratos com Gerhard Berger ou Jean Alesi, algo que não ocorreu, e Senna acabou indo para a Williams, onde faleceu no trágico acidente no circuito de Ímola em 01 de maio de 1994.
Outro fator importante para convencer Schumacher foi a formação da equipe ao seu redor. Todt revelou que entrou em contato simultaneamente com Ross Brawn e Rory Byrne, que haviam trabalhado com o alemão na Benetton: “Ele queria garantias, então contatei Ross Brawn para diretor técnico e Rory Byrne para projetista-chefe, e Michael sabia disso”, finalizou Todt.
A estratégia ajudou a consolidar o projeto da Ferrari, que começou a dar resultados rapidamente. Em 1996, já com Schumacher na equipe, a Ferrari conquistou três vitórias, marcando o início de uma das parcerias mais dominantes da história da Fórmula 1.
