F1: Stella admite queda da McLaren após testes

A Fórmula 1 se aproxima da abertura da temporada 2026 na Austrália, mas a McLaren deixou o Bahrein com um discurso mais cauteloso do que muitos esperavam. Após os testes de pré-temporada, o chefe da equipe, Andrea Stella, reconheceu que o time pode não estar no mesmo nível dos principais rivais neste momento.

A expectativa era alta. A McLaren entrou em 2026 tentando manter o embalo após conquistar os títulos de construtores em 2024 e 2025, além do campeonato de pilotos com Lando Norris no ano passado. No entanto, o novo regulamento trouxe carros bastante diferentes dos modelos da era do efeito solo, justamente o conceito que a equipe dominou com eficiência nas últimas temporadas.

Durante os testes no Bahrein, Norris e Oscar Piastri apareceram com frequência nas primeiras posições das tabelas de tempos, e o MCL39 demonstrou bom gerenciamento de energia. A análise inicial indicava que a equipe estava novamente no grupo da frente. Porém, Stella adotou um tom mais reservado ao avaliar o desempenho real do carro.

“É muito difícil dizer”, afirmou o dirigente ao ser questionado sobre a posição da McLaren em relação a Mercedes e Ferrari. Ele destacou que as simulações de corrida oferecem um retrato mais fiel da performance. “A simulação de corrida é onde você consegue ver de forma mais precisa o desempenho genuíno dos carros.”

Stella citou uma comparação direta envolvendo Piastri e Max Verstappen em um mesmo período do dia, com ritmos semelhantes. Contudo, alertou que as condições de pista variaram bastante ao longo das sessões. “Dependendo do horário, a simulação pode ser muito mais rápida. No fim do terceiro dia, por exemplo, a pista estava no momento mais veloz dos seis dias de testes.”

F1 2025, Fórmula 1, GP de São Paulo, Interlagos
Foto: XPB Images

Na avaliação do chefe da McLaren, o cenário atual aponta para equilíbrio entre sua equipe e a Red Bull. “Acho que McLaren e Red Bull estão muito próximas. Ferrari e Mercedes parecem um passo à frente”, declarou, em uma admissão que surpreendeu parte do paddock.

Questionado sobre possíveis atualizações para o GP da Austrália, Stella foi direto. Segundo ele, não haverá mudanças drásticas na especificação do carro. “O que vimos aqui no teste é basicamente o carro que veremos na Austrália”, afirmou. Algumas peças adicionais estão em fabricação e devem estrear apenas na primeira etapa, mas nada que represente uma transformação significativa no pacote.

O dirigente também destacou que a redução de peso segue como prioridade contínua. Mesmo que o carro esteja dentro do limite regulamentar, a meta é ficar abaixo dele para permitir ajustes de lastro e otimizar o equilíbrio. “É algo em que as equipes vão continuar trabalhando por bastante tempo”, explicou.

Com isso, a McLaren chega a Melbourne reconhecendo que o cenário da Fórmula 1 2026 pode estar mais desafiador do que o esperado. A disputa pelo topo promete ser intensa desde o início do campeonato.