F1: Sainz critica nova era da categoria e pede mudanças nas regras

A Fórmula 1 iniciou uma nova fase técnica em 2026, mas nem todos estão satisfeitos com os efeitos das mudanças dentro da pista. Carlos Sainz afirmou que alguns elementos do regulamento atual não refletem o DNA tradicional da categoria e defendeu ajustes nas regras.

O piloto da Williams tem sido um dos nomes mais críticos do novo ciclo técnico da F1, que trouxe carros e unidades de potência completamente diferentes. Para ele, embora as equipes evoluam naturalmente ao longo da temporada, a categoria também precisa agir por meio de mudanças regulatórias.

A principal transformação desta temporada está nas unidades de potência, que agora utilizam uma divisão de 50% entre combustão e energia elétrica. Esse equilíbrio alterou significativamente a forma como os pilotos conduzem os carros durante as voltas.

Segundo Sainz, a nova realidade mudou completamente o comportamento na pista. Em vez de manter o acelerador totalmente aberto durante toda a volta, os pilotos precisam reduzir marcha no final das retas para recuperar energia da bateria.

Além disso, os carros acabam contornando algumas curvas em velocidades menores, enquanto as oportunidades de ultrapassagem passaram a depender diretamente do ciclo de energia da bateria. O uso de modos como o boost e o modo de ultrapassagem também adicionou mais complexidade à disputa.

Carlos Sainz (ESP) Williams F1 Team FW48.
Foto: XPB Images

O GP da Austrália foi o primeiro exemplo prático das novas regras. Durante a corrida, George Russell e Charles Leclerc protagonizaram uma disputa intensa pela liderança nas voltas iniciais, com a primeira posição mudando de mãos oito vezes em apenas 12 voltas.

Apesar do espetáculo na pista, parte do paddock avaliou que a batalha teve forte influência do gerenciamento de energia. O nível de bateria disponível em cada momento foi determinante para definir quem estava na frente.

Sainz acredita que a evolução natural das equipes ajudará a melhorar o espetáculo ao longo do tempo. No entanto, ele defende que a Fórmula 1 também precisa agir para corrigir aspectos do regulamento.

“Com certeza haverá uma combinação de desenvolvimento dos motores, desenvolvimento do software e evolução das equipes que vai melhorar a situação”, disse o piloto. “Mas o desenvolvimento só pode levar as coisas até certo ponto, e também precisamos de ajuda das regras.”

O espanhol afirmou que o formato atual não representa totalmente a essência da categoria. Para ele, o conceito escolhido para a nova era técnica precisa de ajustes para se aproximar do que tradicionalmente define a Fórmula 1.

Questionado sobre o que exatamente gostaria de ver diferente, Sainz apontou três pontos principais. Um deles é a redução da velocidade máxima no meio das retas, causada pela necessidade de gerenciar a energia da bateria.

Carlos Sainz (ESP) Williams F1 Team FW48.
Foto: XPB Images

“Não gosto de ver a velocidade máxima cair no meio da reta e perder 30 ou 40 km/h no meio de uma volta de classificação”, afirmou. “Também não gosto de ter que tirar o pé no meio de uma volta de classificação.”

Outro ponto criticado pelo piloto é o formato atual das ultrapassagens. Na visão dele, a diferença de velocidade gerada pelo uso combinado do boost e do modo de ultrapassagem pode chegar a cerca de 60 km/h.

Para o espanhol, isso cria manobras pouco naturais. “Ultrapassar dessa forma, como se o outro carro estivesse parado, não é uma ultrapassagem real de Fórmula 1”, disse.

Sainz acredita que a energia deveria ajudar o piloto apenas a chegar perto do adversário. A conclusão da ultrapassagem, segundo ele, deveria depender mais da habilidade na frenagem ou na execução da manobra.

“Para mim, o DNA do esporte é colocar o carro em posição de atacar e finalizar a ultrapassagem com uma boa frenagem ou um belo cruzamento de trajetória”, concluiu.