F1: Red Bull muda posição e apoia concorrentes em polêmica sobre motores

A Red Bull Racing deve adotar uma nova posição na polêmica envolvendo uma suposta brecha no regulamento das novas unidades de potência da Fórmula 1, agora se alinhando aos demais fabricantes rivais da Mercedes. Segundo relatos da imprensa europeia, a equipe passou a apoiar Audi, Ferrari e Honda na discussão sobre a interpretação das regras para os motores da nova geração.

Essa controvérsia ganhou força no mês passado, quando veio à tona que Mercedes e a própria Red Bull, teriam identificado uma possível brecha no novo regulamento técnico. O texto determina uma taxa de compressão de 16:1 para os novos motores V6 híbridos com divisão de energia 50-50 entre combustão interna e sistema elétrico, diferente do ciclo anterior, que previa 18:1 em um cenário de maior dependência do motor a combustão.

Mercedes e Red Bull desenvolveram seus projetos considerando que essa taxa seria medida em temperatura ambiente, o que permitiria alcançar níveis mais altos de compressão quando o motor estivesse operando em condições mais quentes. Antes da apresentação do RB22, o chefe da Red Bull Powertrains-Ford, Ben Hodgkinson, foi categórico ao afirmar que o motor desenvolvido internamente era totalmente legal.

Nesta semana, o chefe da Mercedes, Toto Wolff, adotou um tom igualmente firme ao defender a unidade de potência da equipe alemã. Segundo ele, o projeto ‘corresponde à forma como os regulamentos estão escritos’, e o dirigente ainda ironizou os concorrentes, ao dizer que deveriam se organizar melhor.

Até mesmo Christian Horner, ex-chefe da Red Bull, saiu em defesa tanto da antiga equipe quanto da Mercedes, elogiando a criatividade técnica demonstrada. Isso aconteceu em meio à iniciativa de Audi, Ferrari e Honda, que solicitaram uma reunião com a FIA em busca de esclarecimentos e defendem uma alteração nas regras, para que a taxa de compressão seja medida com o motor em temperatura elevada, o que poderia impactar diretamente a Mercedes.

Embora haja relatos do Corriere dello Sport de que a FIA teria sinalizado positivamente para essa mudança, não há uma confirmação oficial. Já o AutoRacer aponta que, após novas reuniões com a FIA e com o Comitê Consultivo das Unidades de Potência (PUAC), a Red Bull passou a se alinhar aos três fabricantes insatisfeitos.

F1: Red Bull muda posição e apoia concorrentes em polêmica sobre motores
Foto: XPB Images

A mudança de postura surpreendeu a todos no paddock da categoria, especialmente porque Hodgkinson havia reconhecido publicamente o uso da brecha e defendido sua legalidade. De acordo com informações do Motorsport Week, a virada de posição estaria ligada à constatação de que a interpretação adotada pela Red Bull não teria gerado o ganho de desempenho inicialmente esperado.

Mesmo com a possibilidade de uma maioria significativa entre os fabricantes para pressionar por mudanças, isso não garante uma alteração imediata do regulamento. As regras do PUAC exigem também o aval da FIA e da Formula One Management (FOM). Nesse contexto, a percepção é de que ambas tendem a votar de forma alinhada, e até agora os sinais indicam que a FIA tem aceitado a solução encontrada pela Mercedes.

Apesar de o diretor de monopostos da FIA, Nicholas Tombazis, ter alertado anteriormente que explorar brechas no novo regulamento seria um ‘suicídio técnico’, Wolff reforçou que a entidade está do lado da Mercedes: “É assim que vemos o mundo hoje, e foi isso que a FIA disse. Foi isso que o presidente da FIA disse, e ele entende bastante do assunto. Nesse sentido, vamos esperar para ver, mas nos sentimos confiantes”, encerrou Wolff.



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