A Red Bull está operando no “limite absoluto” do novo regulamento de unidades de potência da Fórmula 1. Quem diz isso é Ben Hodgkinson, o chefe de motores da equipe, especialmente após a exposição de um suposto truque da Mercedes relacionado à taxa de compressão.
A partir de 2026, a FIA reduziu a taxa máxima de compressão dos motores para 16:1, abaixo dos 18:1 anteriores, como parte do novo pacote técnico que inaugura uma nova era da categoria. Durante o inverno europeu, surgiram relatos de que o time alemão teria desenvolvido uma solução que permite atender ao limite de 16:1 quando a medição é feita em temperatura ambiente, como exigem os procedimentos atuais, mas ultrapassá-lo quando o motor opera em temperaturas mais altas na pista. A controvérsia ganhou força com a alegação de que essa vantagem técnica poderia representar um ganho de quase três décimos de segundo por volta no circuito de Albert Park, palco do GP da Austrália, prova de abertura da temporada.
Enquanto a Mercedes ainda não se manifestou oficialmente sobre a questão, o tema foi abordado pela Red Bull Powertrains às vésperas do lançamento do RB22, primeiro carro da equipe equipado com um motor desenvolvido internamente. Ben Hodgkinson, diretor técnico da RBPT, comentou o cenário em meio ao debate crescente entre fabricantes e a FIA, reforçando que a equipe está no limite do regulamento enquanto a federação acompanha de perto os desdobramentos técnicos da nova geração de motores.

“Do ponto de vista puramente técnico, o limite da taxa de compressão é muito baixo. Temos a tecnologia para tornar a combustão rápida o suficiente para que a taxa de compressão seja muito baixa; poderíamos fazer uma taxa de 18:1 funcionar com a velocidade de combustão que conseguimos alcançar”, disse.
“Isso significa que há desempenho em cada décimo de taxa que você pode obter, então todos os fabricantes deveriam estar mirando em 15,999, até onde ousarem chegar quando for medido. Acho que há um certo nervosismo por parte de vários fabricantes de unidades de potência de que possa haver alguma engenharia inteligente acontecendo em algumas equipes, mas não tenho certeza de quanto disso devo levar em consideração”, continuou.
“Estou nisso há muito tempo, e é apenas ruído. Você tem que jogar a sua própria corrida, e estou confiante de que o que estamos fazendo é legal e, claro, estamos levando isso ao limite máximo permitido pelos regulamentos. Ficaria surpreso se ninguém tivesse feito isso, então, sinceramente, suspeito que seja muito barulho por nada, e espero que todos acabem com uma proporção de 16:1”, encerrou.
