A Fórmula 1 chega ao GP da China 2026 com cenário bem diferente do visto na Austrália, e a estratégia promete ter peso decisivo na corrida em Xangai. Com menos influência da recarga de energia e maior risco de granulação dos pneus, a escolha certa pode definir o resultado entre os ponteiros e também no pelotão intermediário.
A Pirelli vê a corrida deste domingo como mais aberta do que a prova de abertura da temporada. Embora o grid lembre o de Melbourne, com Mercedes na frente, Ferrari logo atrás e McLaren na sequência, a sensação no paddock é que a etapa chinesa terá uma dinâmica completamente diferente.
Kimi Antonelli larga na pole position após se tornar o primeiro adolescente da história a conquistar uma pole na Fórmula 1. George Russell parte ao seu lado, enquanto as Ferraris ocupam a segunda fila, à frente das duas McLarens. Ainda assim, o destaque antes da largada está menos na posição de saída e mais no comportamento dos pneus ao longo das voltas.

Segundo a análise da Pirelli, a estratégia mais provável neste momento é de apenas uma parada, com uso dos pneus Médios e depois Duros. A janela estimada para o pit stop nessa opção fica entre as voltas 17 e 23. O indicativo veio principalmente do que foi visto na Sprint, quando três carros completaram a prova com pneus Duros e mostraram boa resistência até o final.
Liam Lawson foi um dos exemplos observados nesse cenário. Largando mais atrás, ele conseguiu bom desempenho com os Duros, terminou na zona de pontuação e ainda se manteve à frente de carros que pararam para colocar pneus Macios após o safety car. Isso reforçou a impressão de que os compostos mais duros podem voltar a funcionar bem na corrida principal.
Mario Isola, diretor da Pirelli Motorsport, afirmou que as informações da Sprint foram positivas. “Os dados da Sprint sugerem que os pneus estão funcionando bastante bem”, afirmou. Ele ressaltou, porém, que a granulação continua sendo uma preocupação relevante, especialmente no pneu dianteiro esquerdo, muito exigido pela longa curva 1 do circuito de Xangai.

Apesar disso, a estratégia de uma parada não é a única possibilidade. Para pilotos que buscam algo mais agressivo, a combinação Macios e Duros também aparece como alternativa interessante. Nesse caso, a vantagem inicial do pneu Macio pode render alguns décimos por volta nas primeiras sete ou oito voltas, antecipando a janela de parada para o intervalo entre as voltas 15 e 21.
Mais atrás no grid, as equipes podem considerar outros caminhos. A estratégia invertida com Duros e depois Médios segue como possibilidade, mas há também a chance real de corrida com duas paradas, especialmente se a degradação for mais alta do que a esperada. A melhor combinação nesse caso seria Macios, Duros e Duros, com janelas entre as voltas 8 e 14, e depois entre as voltas 29 e 35.
Outra alternativa semelhante seria usar Médios, Duros e Duros, empurrando as paradas para as voltas 10 a 16 e 30 a 36. Segundo a análise, esse tipo de escolha precisa ser feito logo no começo da prova, já que os carros que apostarem em duas paradas terão de atacar desde o início, enquanto os que forem para apenas um pit stop deverão administrar os pneus.

O clima também pode influenciar diretamente esse cenário. Apesar da aparência carregada do céu em Xangai ao longo do fim de semana, a previsão segue sem indicar chuva para o domingo. Em compensação, a expectativa é de temperaturas baixas e vento forte, fatores que aumentam o risco de travamentos de roda, pequenas escapadas e maior desgaste dos pneus.
Por isso, embora a estratégia de uma parada apareça como favorita antes da largada, a combinação entre frio, vento e granulação mantém aberta a possibilidade de uma corrida mais movimentada taticamente. Em outras palavras, o GP da China pode ser decidido tanto na pista quanto nos boxes.
