F1: Pinturas de fim de grid? Cadillac e Audi começam atrás

A Fórmula 1 caminha para 2026 carregando o maior pacote de mudanças técnicas da sua história. Não é força de expressão. Estamos falando de uma ruptura completa: novos chassis, carros menores, mais leves e mais estreitos, aerodinâmica ativa, fim do DRS, novos modos de energia, pneus redesenhados, novos combustíveis e, principalmente, uma unidade de potência que muda o DNA da categoria ao estabelecer uma divisão equilibrada entre combustão e energia elétrica. É uma nova Fórmula 1. Como toda nova era, ela expõe virtudes, fragilidades e estágios muito diferentes de maturidade entre as equipes.

Nesse cenário, as pinturas reveladas nas últimas semanas acabam funcionando quase como um reflexo simbólico desse momento de transição. Não determinam desempenho, obviamente, mas ajudam a contar uma história. E a história que começa a se desenhar, especialmente após a Aston Martin revelar sua pintura nesta segunda-feira — fechando o ciclo de apresentações visuais — é que duas equipes estreantes em 2026 carregam, ao menos visualmente, aquela clássica “cara de fim de grid”: Cadillac e Audi.

No caso da Cadillac, a pintura rapidamente ganhou um apelido nos bastidores: “Duas Caras”. Um carro dividido visualmente entre o preto e o cinza, com uma identidade ainda em construção, quase como se refletisse o próprio estágio do projeto. Não é feia, mas passa uma sensação de transição, de algo ainda sendo montado. E, de certa forma, faz sentido. A Cadillac nasce como uma equipe nova, estruturando tudo do zero, mas com uma vantagem clara no curto prazo: não precisa, neste primeiro momento, resolver o maior quebra-cabeça da era 2026, que é o motor. A escolha pelo uso da unidade da Ferrari — que, pelos primeiros sinais do shakedown coletivo de Barcelona, parece ter começado de forma sólida — pode oferecer um colchão importante enquanto a equipe ajusta processos, pessoas e cultura técnica.

Sergio Perez (MEX) Cadillac Formula 1 Team Car. 09.02.2026. Formula 1, Cadillac Formula 1 Team Filming Day, Sakhir, Bahrain, Monday.
Foto: Divulgação / Cadillac

Já a Audi vive um dilema diferente, e potencialmente mais complexo. A pintura dividiu opiniões, e aqui entra um ponto mais subjetivo: a expectativa era enorme, talvez até maior do que o que foi entregue visualmente. Não é uma pintura ruim, mas não empolga. Falta aquele impacto que se esperava de uma marca que entra na Fórmula 1 com status de montadora premium, carregando um discurso de revolução tecnológica. E essa sensação visual dialoga com a realidade do projeto. A Audi herda a estrutura da antiga Sauber, o que ajuda em termos operacionais, mas, ao mesmo tempo, se lança no desafio mais delicado de todos: desenvolver sua própria unidade de potência do zero, já sob o regulamento mais complexo que a F1 já criou.

Isso coloca a Audi em uma posição curiosa. Diferente da Cadillac, que pode se apoiar em um motor já conhecido, a equipe alemã precisa aprender tudo ao mesmo tempo: carro novo, regulamento novo e motor novo. Historicamente, a Fórmula 1 mostra que esse tipo de convergência raramente gera resultados imediatos. A chance de um início de ciclo mais duro, com tropeços técnicos e um grid mais pesado no fundo do pelotão, é real. Talvez isso explique por que a pintura, mesmo correta, parece conservadora demais para quem prometia um novo capítulo da F1.

Chamar essas pinturas de “pinturas de fim de grid” não é um julgamento definitivo, obviamente, mas uma leitura de contexto. Em uma era em que tudo muda ao mesmo tempo, a Fórmula 1 volta a deixar claro que não existe atalho. Algumas equipes chegam mais prontas, outras chegam aprendendo. Em 2026, talvez o visual dos carros esteja apenas antecipando aquilo que o cronômetro vai confirmar — ou desmentir — ao longo da temporada.



Baixe nosso app oficial para Android e iPhone e receba notificações das últimas notícias.