F1: Pilotos aprovam ajustes para Miami, mas pedem mais mudanças

A Fórmula 1 chega ao GP de Miami com mudanças nas regras de 2026 feitas para melhorar segurança e o espetáculo, e a reação inicial dos pilotos foi, em geral, positiva. Ainda assim, o tom no paddock é de cautela, com vários nomes dizendo que os ajustes são apenas um primeiro passo e que o efeito real só vai aparecer na pista.

O pacote mexe diretamente na gestão de energia. A potência máxima do super clipping sobe de 250kW para 350kW, enquanto o limite de recuperação de energia no treino classificatório cai de 8MJ para 7MJ, tentativa de reduzir lift-and-coast e o próprio super clipping. Também houve alteração nas largadas, com a MGU-K passando a atuar para garantir um nível mínimo de aceleração quando houver saída lenta, medida voltada a evitar diferenças grandes de velocidade no grid.

Pierre Gasly classificou a direção como correta, sem vender a ideia de revolução. “Está indo na direção certa para as coisas que estamos pedindo. Isso é o mais importante. Não acho que seja algo que muda o jogo”, afirmou, destacando a comunicação “muito construtiva” com a FIA e lembrando que segurança precisa vir antes de tudo.

Valtteri Bottas seguiu na mesma linha e ressaltou o equilíbrio político da decisão. “Faz sentido. Acho que está na direção certa”, disse, citando a intenção de reduzir diferenças de velocidade e o clipping no fim das retas, mas pontuando que mudanças grandes no meio do ano são complicadas porque não se quer “mudar a ordem das equipes”.

Alexander Albon (THA) Williams F1 Team FW48.
Foto: XPB Images

Alex Albon contou que a equipe testou as novidades no simulador e viu melhora, mas sem chegar ao cenário ideal. “Melhora alguns aspectos. É totalmente puro, só guiando o mais rápido possível? Não”, avaliou, prevendo que o tema ainda deve ter novas etapas após Miami.

Entre os pontos mais elogiados, Oliver Bearman e Esteban Ocon destacaram a automação na preparação da volta rápida. “Agora é automático, o que simplifica as coisas para nós”, disse Bearman, lembrando que antes era preciso controlar manualmente a abertura do acelerador e até olhar o painel, algo “um pouco perigoso”. Ocon reforçou: “Não é a história completa, mas são pequenos passos para melhor”.

Já Franco Colapinto, Liam Lawson, Fernando Alonso e Lance Stroll preferiram “esperar para ver”. Alonso questionou se o impacto será realmente grande e apontou que o regulamento ainda tende a “recompensar ir mais devagar nas curvas” por causa da energia, enquanto Stroll concordou que os ajustes soam como um “curativo” em um problema maior e admitiu que o esporte terá de conviver com esse conceito por alguns anos.