Australiano admite período difícil em 2022, relembra decisão pela McLaren e diz que caso virou “uma das fases mais tensas” da sua trajetória
Oscar Piastri voltou a falar, com mais distância e maturidade, sobre um dos episódios mais controversos da Fórmula 1 recente: a ruptura pública com a Alpine no meio de 2022 e a assinatura de seu contrato de estreia com a McLaren. Em entrevista no programa Off The Grid, produzido pela Fórmula 1 e gravado em Mônaco, onde vive atualmente, o australiano detalhou como viveu aquele período e como a situação moldou sua entrada definitiva na categoria.
Formado na academia da Renault — que mais tarde se tornaria a Alpine —, Piastri chegou à Fórmula 1 cercado de expectativas após conquistar, como estreante, os títulos da Fórmula 3 e da Fórmula 2. Ainda assim, em 2022, ficou sem vaga no grid e precisou atuar como piloto reserva da Alpine, em um ano que ele descreve como especialmente desgastante.
“Foi, com certeza, um período difícil”, contou Piastri. “Naturalmente, como piloto de corrida, você quer estar correndo. Passar um ano inteiro sem competir foi duro. Definitivamente foi.”
Segundo ele, a experiência teve um lado educativo, mas não compensava a frustração esportiva. “Ao mesmo tempo, me permitiu observar algumas coisas de fora: entender melhor como funciona um fim de semana, os compromissos de mídia, os compromissos com patrocinadores, o ritmo geral da temporada. Aprendi algumas coisas, mas foi um período complicado.”
Naquele momento, a Alpine vivia um impasse interno. O time de Enstone tinha três pilotos considerados de alto nível para apenas duas vagas: Fernando Alonso, Esteban Ocon e o próprio Piastri. Houve, inclusive, a possibilidade de um empréstimo do australiano para a Williams, cenário que mudou quando Alonso decidiu deixar a equipe rumo à Aston Martin.
A partir daí, a Alpine anunciou publicamente que Piastri seria promovido a piloto titular. A resposta veio poucas horas depois, em uma mensagem que entrou para a história recente da Fórmula 1.
“Entendo que, sem meu consentimento, a Alpine F1 publicou um comunicado no fim da tarde dizendo que eu correria por eles no ano que vem. Isso está errado e eu não assinei contrato com a Alpine para 2023. Não estarei correndo pela Alpine no ano que vem.”
Hoje, Piastri relembra aquele momento com mais leveza, mas admite o peso da situação. “Eu meio que sabia que aquilo ia virar uma história grande”, disse, sorrindo. “Havia razões para eu fazer aquilo. Não foi simplesmente sair do meu caminho para anunciar ao mundo que eu não iria correr.”

21.11.2022. Formula 1 Testing, Yas Marina Circuit, Abu Dhabi, Monday.
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Ele reconhece que o tempo ajudou a mudar a perspectiva. “Hoje eu olho para trás e até dou risada. Na época, definitivamente não foi nada engraçado.”
A disputa acabou sendo levada ao Contract Recognition Board (CRB), órgão da FIA responsável por validar contratos. A decisão foi favorável à McLaren, confirmando que o acordo do australiano com a equipe britânica era o único válido.
“Foi parar no CRB. As coisas estavam a meu favor, mas aquele também foi um momento extremamente tenso”, admitiu.
Com a questão resolvida, Piastri estreou na Fórmula 1 pela McLaren em 2023, dando início a uma trajetória que o levaria, poucos anos depois, a disputar títulos e se consolidar como um dos nomes centrais da nova geração.
“Aquilo foi um momento incrível”, concluiu. “Mas, ao mesmo tempo, você percebe que tudo o que fez antes praticamente deixa de importar. A partir dali, começa tudo de novo.”
O episódio, que à época expôs falhas de comunicação e gestão por parte da Alpine, hoje é visto por Piastri como um divisor de águas — não apenas contratual, mas emocional e profissional — na construção da carreira que ele ainda está escrevendo na Fórmula 1.
