Oscar Piastri expressou suas preocupações sobre os impactos das novas regulamentações da Fórmula 1, alertando que a categoria pode estar ‘cruzando a linha para o desastre’, caso as questões de largadas e ultrapassagens não sejam devidamente abordadas antes da abertura da temporada em Melbourne.
Após a primeira semana de testes de pré-temporada no Bahrein, o australiano fez uma análise detalhada das mudanças no estilo de pilotagem exigido pelos novos carros: “Os carros são certamente diferentes, isso é certo”, afirmou Piastri, destacando que os desempenhos em curvas de baixa velocidade não apresentaram grandes diferenças, enquanto a performance em alta velocidade, devido à diminuição da carga aerodinâmica, foi significativamente inferior em comparação ao ano passado.
No entanto, o maior foco de Piastri está nas preocupações com a segurança e a dinâmica das largadas. A remoção do MGU-H, componente responsável pelo controle das rotações do motor, trouxe complicações para o processo de largada. Durante o último dia de testes, foi observado que o tempo necessário para que o motor alcançasse as rotações ideais poderia levar até dez segundos, um tempo crítico que pode comprometer as largadas nos GPs: “As largadas precisam ser abordadas”, disse Piastri, destacando que o processo agora é mais complicado e exige uma maior atenção para garantir que seja seguro e competitivo.
Piastri também reforçou a preocupação de seu chefe de equipe na McLaren, Andrea Stella, que pediu à FIA que intervenha para corrigir esses problemas antes do início da temporada no GP da Austrália em 08 de março: “O processo de largada é algo que vamos discutir até Melbourne. Existem muitos tópicos a serem abordados”, afirmou o piloto australiano.

Além das largadas, outra área de preocupação de Piastri está nas ultrapassagens, que agora dependem de um sistema de impulsão de energia estratégica, substituindo o DRS: “Com o ‘boost’ de energia, você precisa armazenar e liberar essa energia de forma estratégica, o que, com algumas regras em vigor, não é sempre tão simples”, acrescentou.
Embora reconheça as dificuldades trazidas pelas novas mudanças, Piastri acredita que o maior desafio será adaptar a maneira de pilotar: “Quando você pilota de uma certa forma há quinze anos, é difícil mudar esses hábitos”, disse ele, acrescentando que os pilotos precisarão aprender novas técnicas devido à menor downforce dos carros, que exigirá que eles aliviem o pé no acelerador em retas para gerenciar a energia.
Por fim, Piastri não poupou críticas ao potencial cenário da temporada, alertando que um grid com 22 carros e uma carga aerodinâmica reduzida pode ser um ‘desastre’ se os problemas não forem resolvidos a tempo: “Um grid de 22 carros com alguns pontos a menos de downforce, parece uma receita para o desastre para mim”, encerrou o piloto australiano.
