A Fórmula 1 pode ter mudanças no regulamento já no GP de Miami, mas o impacto inicial deve ser limitado. O chefe da Racing Bulls, Alan Permane, alertou que o formato do final de semana e o pouco tempo de testes devem impedir alterações mais profundas logo de início.
Essas discussões entre FIA, Fórmula 1 e as equipes, seguem em andamento após problemas identificados nas três primeiras corridas da temporada. As conversas continuaram na terça-feira (14), com uma nova rodada prevista para 20 de abril, antes de qualquer decisão ser enviada ao Conselho Mundial de Automobilismo para ratificação, que deve ocorrer antes do GP de Miami.
Permane destacou que o desafio é ainda maior, porque Miami será um fim de semana com formato Sprint. Nesse formato, há apenas uma hora de treino livre antes da classificação Sprint, reduzindo drasticamente o tempo disponível para testar alterações técnicas em comparação com um fim de semana tradicional.
O dirigente também destacou que a sequência do calendário não ajuda na avaliação das mudanças. Após Miami, a Fórmula 1 terá outra etapa com corrida Sprint no Canadá, seguida pelo GP de Mônaco, um circuito atípico que limita testes significativos. Por isso, o GP da Espanha, em Barcelona-Catalunha, no meio de junho, surge como a primeira oportunidade real para avaliar um pacote mais completo.
Permane explicou que algumas mudanças discutidas envolvem questões como ‘lift and coast’ (desacelerar para recuperar energia): “Sei que as pessoas não gostam de ‘lift and coast’, e sabemos que não queremos ver coleta de energia fora do ideal. A maneira de eliminar isso é nos dar muito menos energia”, afirmou.

O chefe da Racing Bulls reconheceu que reduzir a energia disponível, pode deixar os carros mais lentos, mas alertou para a necessidade de cautela: “Vamos deixar os carros mais lentos, mas não acho que queremos tornar as curvas menos desafiadoras, então precisamos ter cuidado, e sei que a FIA está sendo cuidadosa”, disse ele.
Segundo Permane, algumas mudanças devem aparecer já em Miami, mas não todas: “Haverá mudanças para Miami, mas não tenho certeza de que veremos o pacote completo, porque o formato do evento faz com que todos sejam cautelosos”, acrescentou.
Ele também indicou que a implementação deve ser gradual ao longo das próximas corridas: “Talvez tentemos algumas soluções mais simples em Miami, outras em Montreal, e depois vamos para Mônaco, onde é quase impossível testar qualquer coisa. Barcelona pode ser a primeira vez que tentaremos algumas mais desafiadoras”, concluiu, defendendo que o processo continue sendo conduzido pela FIA e pela própria Fórmula 1.
