Os políticos do Reino Unidos fizeram um pedido à Fórmula 1 para a realização de um inquérito independente no que tange a ligação entre alguns países anfitriões e as violações dos direitos humanos.
A requisição veio antes da primeira prova do ano, o GP do Bahrein. O parlamentar britânico Paul Scriven salientou seu desejo de que a categoria use os holofotes da corrida para pressionar o país a libertar prisioneiros no corredor da morte e detidos políticos.
O Bahrein é uma das nações visitadas pelo esporte que está sob escrutínio devido ao seu histórico de violação dos direitos humanos, assim como Arábia Saudita, Catar, Azerbaijão e Emirados Árabes Unidos.
Em resposta, de acordo com a BBC, a Fórmula 1 emitiu a seguinte declaração: “Durante décadas a Fórmula 1 trabalhou duro para ser uma força positiva em todos os lugares em que corre, incluindo benefícios econômicos, sociais e culturais.”
“Esportes como a F1 estão posicionados de maneira única para cruzar fronteiras e culturas, para reunir países e comunidades, para compartilhar a paixão e a emoção de competições e conquistas incríveis.”
“Levamos nossas responsabilidades muito a sério e tornamos nossa posição sobre os direitos humanos e outras questões claras para todos os nossos parceiros e países anfitriões, que se comprometem a respeitar os direitos humanos na forma como seus eventos são hospedados e entregues”.
Em janeiro deste ano, Paul Scriven criticou abertamente o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, após o emiradense não responder a uma carta sobre as preocupações levantadas em torno dos direitos humanos.
“É uma pena que a atual liderança da FIA e da F1 pareça pensar que dinheiro, lucro e sua própria importância são muito mais importantes do que dar dignidade e direitos humanos básicos às pessoas no país do qual eles lucram”, declarou o britânico.
Já, Sayed Ahmed Alwadei, o diretor do grupo BIRD [Instituto pelos Direitos e Democracia do Bahrein], ressaltou: “É hora da F1 e da FIA pararem de permitir que sua presença no Bahrein e na Arábia Saudita seja usada para limpar as imagens encharcadas de sangue dessas autocracias.”
“Apesar dos terríveis registros de direitos humanos, ambos os estados desfrutam de generosos contratos da F1 e exploram a plataforma da F1 para limpar sua imagem no cenário mundial, enquanto milhares de prisioneiros políticos definham atrás das grades.”
“A F1 deve estabelecer uma investigação independente e imparcial para examinar o papel de suas corridas nas violações dos direitos humanos, e a FIA deve adotar uma política de direitos humanos consistente com os princípios da ONU. Não fazer isso permitirá que seu esporte continue a ser usado para reparar a reputação de ditadores brutais”, concluiu Alwade.