Os primeiros testes pré-temporada da Fórmula 1 estão oficialmente encerrados. A categoria teve 10 de suas 11 equipes rodando com os carros do novo regulamento 2026 no Circuito de Barcelona, na Espanha e, apesar da forte segurança e proteção em torno das informações, já é possível entender melhor o cenário de cada uma das equipes antes do próximo teste, que será no Bahrein, entre 18 e 20 de fevereiro.

A Mercedes foi, talvez, a equipe com maior expectativa. Desde o ano passado, rumores sugeriam que o time foi favorecido pelas novas diretrizes de motor, que lembram as de 2014, quando a equipe iniciou um domínio que durou quase uma década.
Nos testes, a expectativa se traduziu em certeza: George Russell e Kimi Antonelli elogiaram o carro. Ambos conseguiram concluir os programas estabelecidos e estatísticas indicam cerca de 500 voltas completadas em três dias de ação, um sinal de que a confiabilidade do motor está em dia. Apesar dos bons resultados, Russell preferiu ser cauteloso: “Estamos em uma posição razoavelmente boa, mas tenho certeza de que as coisas vão mudar muito entre agora e o próximo teste”, disse ele.

O bom desempenho do motor Mercedes pode até deixar as equipes clientes mais tranquilas, mas não é sinal de que tudo está bem. A McLaren, que levou o MCL40 com uma pintura camuflada para a pista, encontrou alguns problemas pelo caminho: a equipe começou seus testes apenas na quarta-feira (28), sinalizando um atraso no desenvolvimento.
Além disso, Oscar Piastri enfrentou problemas técnicos no sistema de combustível do carro, situação que finalizou a quinta-feira antes do previsto. Já o atual campeão mundial, Lando Norris, parece não ter enfrentado grandes dificuldades com o veículo. Ao todo, o time completou 291 voltas durante a semana.
Sem revelar muitos detalhes, ambos os pilotos encerraram os testes ressaltando que estão aprendendo a lidar com o novo carro e que novos ajustes e configurações devem ser explorados antes dos testes no Bahrein.

Na Ferrari, o clima é de otimismo total. A equipe italiana não enfrentou problemas com o motor ao longo dos três dias de teste e os elogios vieram principalmente do piloto mais prejudicado em 2025: Lewis Hamilton. Falando após suas primeiras voltas com o SF-26, o heptacampeão se disse impressionado com o progresso da equipe em relação ao ano passado.
Charles Leclerc também se mostrou contente com os resultados apresentados. O monegasco, que chegou a liderar os tempos na manhã desta sexta-feira, destacou que o carro funcionou perfeitamente e que esse é um sinal positivo para os planos da Ferrari. Quanto ao desempenho, Frédéric Vasseur, chefe do time, reconheceu que a Mercedes está um patamar acima.

Para aqueles que esperavam que o novo motor da Red Bull em parceria com a Ford fosse ser um grande problema para a equipe, a equipe deixou um recado claro: confiabilidade não deve ser uma pedra no caminho em 2026. Tanto Isack Hadjar, quanto Max Verstappen conseguiram completar o cronograma sem sofrer nesse quesito
O time acabou perdendo dois dias de teste após uma batida de Hadjar e teve que trabalhar para recolocar o carro em pista nesta sexta-feira. A avaliação final é de que a Red Bull está mais confiante do que o esperado e que Verstappen pode ter chances de buscar seu quinto título. A questão é: será o suficiente para superar o bom ritmo da Mercedes?

Na Racing Bulls, o clima também é otimista. Liam Lawson elogiou a nova unidade de potência, destacando que a equipe conseguiu completar várias voltas sem falhas.
Mesmo com os desafios de adaptação, ele e Arvid Lindblad encerram os testes afirmando que o desempenho da Racing Bulls foi forte, mas que ainda precisam examinar como o carro vai se comportar em outra condição climática. Também frisaram que o início da temporada deve trazer as equipes em níveis próximos.

Não é exagero dizer que a Alpine ainda está sofrendo os impactos de uma de suas piores temporadas dentro da F1. Porém, os testes em Barcelona parecem realmente significar uma nova página para a equipe: com os novos motores Mercedes, o time preferiu investir no tempo de pista para adquirir o máximo de conhecimento possível do novo carro e não se arriscou tanto.
Segundo Steve Nielsen, um dos chefes da equipe, o objetivo atual é conseguir recuperar o status da Alpine e não focar em grandes marcas no início do novo ciclo da categoria.

A Haas foi uma das equipes que surpreendeu positivamente durante os testes na Catalunha. Oliver Bearman e Esteban Ocon aproveitaram a confiabilidade do motor Ferrari para explorar o potencial do carro. Neste ano, a equipe norte-americana ampliou parceria com a Gazoo Racing.
Bearman chegou a ter alguns problemas com a unidade de potência, mas ficou surpreso com a rápida recuperação do time: “Fizemos o dobro da quilometragem de quarta-feira em metade do tempo. Foi um bom dia, com o carro funcionando de maneira limpa. Aprendi muito sobre ele”, afirmou ele nesta sexta-feira.

A Aston Martin foi uma das grandes incógnitas do teste. A equipe entrou em pista somente na quinta-feira após atrasos no desenvolvimento do AMR26. O carro ganhou adesivo preto para camuflar o design de Adrian Newey e deu poucas voltas no traçado: Lance Stroll realizou cinco voltas, enquanto Fernando Alonso fez menos de 100.
Segundo rumores, o carro ainda vai passar por muitas mudanças até o teste no Bahrein. A equipe não revelou muitos detalhes de seus testes.

A Audi foi mais uma equipe a fazer suspense, mas não foi uma boa tática: ao longo da semana, foi perceptível que o carro apresentou diversos problemas. A confiabilidade do motor do RS26 se mostrou frágil e a equipe precisou dar explicações após Gabriel Bortoleto ter dificuldades em completar o cronograma em Barcelona.
Em entrevista, Nico Hülkenberg afirmou que o início foi lento, mas que agora o time está focado em resolver os problemas. James Key, diretor técnico, justificou: “Esse teste é uma prova de um carro muito novo para todos, mas especialmente para nós, com uma unidade de potência também nova, a primeira da Audi.” Ele destacou que, apesar dos atrasos no primeiro dia de testes, é essencial resolver problemas como o vazamento hidráulico, que são facilmente corrigíveis e fazem parte do processo de aprendizado.

Os problemas também apareceram para a Cadillac. Sergio Pérez afirmou estar surpreso com a quantidade de falhas encontradas com a equipe: “Mais do que surpresas, problemas. Problemas em vários aspectos, com o motor, com o carro, com algumas questões eletrônicas”, disse o mexicano.
Já Valtteri Bottas frisou que os três dias de atividade em pista foram essenciais para o aprendizado da equipe e que situações como as que aconteceram em Barcelona são normais para um time que está iniciando sem uma estrutura pré-montada, como no caso da Audi.

A Williams se encontra na situação mais complicada do grid: o carro teve problemas com o peso e demorou para ser aprovado no teste de colisão da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Por isso, o time não levou o FW48 para a pista.
James Vowles, chefe da equipe, afirmou que a decisão foi essencial para dar continuidade de forma segura ao projeto. O carro deve estar pronto para o teste do Bahrein. Vowles contou com o apoio de Alexander Albon e Carlos Sainz.
