F1: Nova teoria explica ‘truque’ de motor de Mercedes e Red Bull

Uma teoria ainda não confirmada sobre como Mercedes e Red Bull poderiam estar contornando as regras da Fórmula 1 para as novas unidades de potência surgiu na Alemanha. A polêmica aparece em meio à preparação para a temporada e está diretamente ligada ao novo regulamento técnico de 2026, que muda profundamente os motores e pode definir vantagens a longo prazo.

O ponto central da discussão envolve a taxa de compressão dos motores, que pelo regulamento deste ano foi reduzida de 18:1 para 16:1. A preocupação entre algumas equipes é que Mercedes e Red Bull tenham encontrado uma forma de apresentar motores dentro do limite exigido nos testes estáticos da FIA, realizados em temperatura ambiente, mas que operariam com uma compressão maior quando o carro está efetivamente na pista.

Segundo o que circula nos bastidores, ambas as fabricantes conseguiriam registrar uma taxa de 16:1 nos boxes, mas atingir valores próximos de 18:1 em condições reais de corrida, quando o conjunto trabalha sob temperaturas e pressões mais elevadas. O tema gerou uma série de discussões internas, incluindo reuniões recentes com a entidade máxima do esporte e com o comitê consultivo de unidades de potência.

A revista alemã Auto Motor und Sport (AMuS) apresentou uma teoria não confirmada sobre como esse sistema poderia funcionar. De acordo com a publicação, o segredo estaria na forma como diferentes componentes do motor se expandem quando submetidos ao calor, alterando de maneira indireta a taxa de compressão durante o funcionamento em pista.

Ainda segundo a AMuS, a Mercedes teria recorrido à impressão 3D para desenvolver pistões especiais, projetados justamente para se comportar de forma diferente em altas temperaturas. Esse efeito permitiria elevar a taxa de compressão para cerca de 17:1 quando o motor está em operação, sem infringir os parâmetros medidos nos testes estáticos.

Kimi Antonelli (Mercedes) – Testes Barcelona F1 2026
Foto: Divulgação / Mercedes

E não é apenas isso, já que a publicação afirmou que o time alemão teria conectado à câmara de combustão um pequeno compartimento adicional, com volume aproximado de um centímetro cúbico, ligado por um canal estreito próximo à vela da pré-câmara, no topo do cilindro. Durante testes estáticos, esse volume extra é preenchido normalmente conforme o pistão se movimenta.

No entanto, quando o motor atinge temperaturas mais altas em pista, a pressão interna ultrapassaria um valor crítico, impedindo que esse volume adicional se expanda pelo canal estreito durante a fase de compressão. O resultado prático seria um aumento ainda maior da taxa de compressão, oferecendo ganhos de eficiência e desempenho. A AMuS afirma que a Red Bull também teria identificado esse conceito, mas ainda não conseguiu desenvolver uma solução confiável para explorá-lo.

Diante das especulações, o chefe da Mercedes e sócio da equipe, Toto Wolff, foi direto ao comentar o assunto durante o lançamento do carro. “Quando se trata da questão do motor, eu realmente não entendo por que algumas equipes se concentram mais nos outros e continuam discutindo algo que é muito claro e transparente”, afirmou. Wolff destacou que a comunicação com a FIA sempre foi positiva e que o regulamento é explícito não apenas sobre taxa de compressão, mas sobre os procedimentos padrão de verificação de motores, inclusive fora da Fórmula 1.

O dirigente também adotou um tom duro ao responder às acusações. “É muito claro o que o regulamento diz e também é muito claro o que a FIA nos disse e disse a eles até agora. Talvez algumas pessoas queiram encontrar desculpas antes mesmo de começar”, disparou. Wolff reforçou que a Mercedes tenta minimizar distrações e garantiu que tudo o que foi desenvolvido pela equipe é legal. “Se alguém quer se entreter criando distrações, todos são livres para isso”, concluiu.



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