A Fórmula 1 segue mostrando a força da Mercedes no GP da China 2026, mas a McLaren acredita ter dado um passo importante em Xangai. Lando Norris reconheceu a evolução da equipe na área da unidade de potência, embora tenha admitido que o carro ainda perde desempenho para a rival alemã nas retas.
O atual campeão largará apenas na sexta posição, logo atrás do companheiro de equipe Oscar Piastri e a cerca de meio segundo da pole conquistada por Kimi Antonelli. Mesmo assim, Norris saiu da classificação com a sensação de que houve progresso em relação ao que a McLaren vinha enfrentando nas primeiras atividades da temporada.
Segundo o britânico, parte da melhora se explica também pelas características do circuito chinês. Para ele, Xangai é uma pista mais simples em comparação com outros traçados, o que ajuda a reduzir alguns dos problemas que a equipe vinha encontrando no carro.
“Há algumas coisas que certamente fizemos melhor. Também é uma pista muito mais simples, então isso elimina metade dos problemas imediatamente”, afirmou Norris. Ainda assim, o piloto destacou que a McLaren continua perdendo tempo importante em um ponto decisivo da volta.
“Continuamos perdendo na parte final das voltas, cerca de um décimo e meio só na reta oposta. Não sabemos por quê. Ainda há coisas que precisamos entender e descobrir”, acrescentou.

Apesar da desvantagem, Norris ressaltou que a equipe está trabalhando para reduzir a diferença para a Mercedes. O piloto reconheceu que, neste tipo de cenário, superar a rival ainda é uma tarefa difícil, mas acredita que a McLaren está no caminho certo para ao menos se aproximar.
“Certamente demos um passo à frente, e a equipe está fazendo tudo o que pode para melhorar. Mas há algum tempo tem sido muito difícil estar à frente de uma Mercedes nesse tipo de situação. Estamos trabalhando duro para pelo menos igualá-los”, disse.
As declarações de Norris foram acompanhadas por uma reflexão mais ampla do chefe da equipe, Andrea Stella, sobre o comportamento dos carros sob o novo regulamento técnico da Fórmula 1. Após a classificação, o dirigente apontou um aspecto que classificou como estranho e até contraintuitivo nas regras atuais.
Stella explicou que, em determinadas situações, um erro durante a volta pode acabar trazendo um benefício inesperado na gestão de energia. Isso acontece porque, ao atrasar a aceleração por conta de um erro, o piloto pode economizar energia e depois usar essa carga extra mais à frente na reta, melhorando o desempenho em um setor da pista.

Na visão do dirigente da McLaren, essa dinâmica levanta uma discussão mais profunda sobre o tipo de corrida que a Fórmula 1 quer oferecer. Para ele, a categoria precisa refletir se deseja manter fidelidade ao DNA tradicional do esporte ou aceitar que situações contraintuitivas passem a fazer parte do cenário competitivo.
Stella avaliou que esse não é apenas um debate técnico, mas também filosófico. Na opinião do italiano, a discussão precisa envolver não apenas as entidades que comandam a Fórmula 1, mas também os fãs e, principalmente, os pilotos, que são os primeiros a sentir os efeitos dessas mudanças na pista.
