F1: Motor próprio da Red Bull agrava problema de Verstappen

A Fórmula 1 viu Max Verstappen viver mais um fim de semana complicado no GP da China 2026, e as dificuldades da Red Bull podem estar ligadas ao novo motor próprio da equipe. Segundo a ex-estrategista Bernie Collins, a unidade de potência desenvolvida internamente agravou um problema antigo do tetracampeão com as trocas de marcha.

O holandês chegou a classificar seu RB22 como “incontrolável” durante a Sprint em Xangai, onde terminou apenas na nona posição, fora da zona de pontos. Depois, ainda enfrentou mais dificuldades na classificação para a corrida principal, ficando apenas em oitavo no grid, atrás inclusive da Alpine de Pierre Gasly.

Os problemas de Verstappen não começaram apenas na sessão classificatória. Na Sprint, o piloto caiu para a 20ª posição logo na largada, em um fim de semana que já vinha sendo marcado por mudanças importantes de acerto no carro. Mesmo com alterações mais agressivas antes da classificação, a Red Bull não conseguiu encontrar melhora clara no comportamento do RB22.

Entre as reclamações do piloto, uma voltou a aparecer com força na China: a forma como o carro se comporta nas trocas de marcha. Para Collins, esse é um problema que acompanha Verstappen há algum tempo, mas ganhou uma dimensão ainda maior com a nova unidade de potência da Red Bull Powertrains em parceria com a Ford.

“Verstappen vem reclamando das trocas de marcha nesse Red Bull há alguns anos”, afirmou Collins à Sky Sports F1. Ela lembrou que, ao longo da temporada passada, o piloto já demonstrava incômodo tanto nas reduções quanto nas passagens para marchas mais altas, algo que desequilibrava o carro.

Max Verstappen (NLD) Red Bull Racing RB22.
Foto: XPB Images

Na avaliação da ex-estrategista, o problema não nasceu com o motor atual, mas os efeitos ficaram mais fortes em 2026. “Não é algo novo com este motor, mas está pior com este motor, e acho que o efeito sobre o equilíbrio do carro também é pior”, explicou. Ainda segundo Collins, isso não significa necessariamente que a origem esteja no câmbio em si.

A análise de Jacques Villeneuve vai na mesma direção ao apontar que Verstappen não consegue mais pilotar o carro da maneira que gostaria. Para o campeão mundial de 1997, o comportamento do RB22 se tornou imprevisível, e isso faz com que o piloto passe a reagir ao carro, em vez de controlá-lo.

“O carro é imprevisível. Mesmo no ano passado, quando ele era lento, ainda existia algum tipo de equilíbrio”, disse Villeneuve. Segundo ele, naquela fase Verstappen ainda conseguia sentir o carro e trabalhar em cima do acerto, extraindo pequenos ganhos ao longo do fim de semana.

Agora, porém, o cenário parece diferente. O canadense destacou que o carro não repete o mesmo comportamento nas curvas e chega a apresentar movimentos inesperados da traseira, o que dificulta entender se o problema principal é de subesterço ou sobresterço. Isso, na visão dele, atrapalha diretamente o desenvolvimento e o acerto do carro.

“Quando isso acontece, você não consegue acertar o carro e acaba perdendo um décimo aqui, outro ali”, afirmou Villeneuve. Para Verstappen, o desafio passa a ser ainda maior em um momento em que a Red Bull tenta entender o real potencial de seu novo conjunto técnico na Fórmula 1.