A Mercedes adota uma visão de longo prazo com Andrea Kimi Antonelli na Fórmula 1. Segundo Toto Wolff, o jovem italiano não deve atingir seu nível máximo na categoria antes de três a cinco anos — ou seja, apenas por volta de 2030.
Antonelli teve uma temporada de estreia irregular em 2025. Após um início promissor e um bom fechamento de campeonato, ele atravessou uma fase muito difícil durante a perna europeia, o que acabou se refletindo na pontuação final: 169 pontos atrás do experiente George Russell, que liderou a campanha da equipe rumo ao segundo lugar no Mundial de Construtores.
Mesmo assim, Wolff saiu em defesa do pupilo e destacou o contexto em que Antonelli competiu.
“Quando esperamos que ele atinja o auge? Daqui a três, cinco anos”, afirmou Wolff no podcast Beyond the Grid. “Esse é o tempo que precisamos dar a ele.”
O dirigente elogiou especialmente a capacidade do jovem de se manter competitivo em um grid extremamente exigente.
“Ele se manteve firme entre os canibais”, disse Wolff, em referência ao alto nível do grid atual, ressaltando também os dois pódios conquistados por Antonelli em seu ano de estreia.
Maturidade humana antes do pico técnico
Para Wolff, o maior desafio de Antonelli neste momento não é técnico, mas humano. O chefe da Mercedes acredita que o italiano já domina muitos aspectos do esporte, mas ainda precisa amadurecer para lidar com a pressão constante da Fórmula 1.
“Ele sabe muito sobre este esporte, porque vive e respira isso todos os dias”, explicou. “Mas existe o componente humano: amadurecer como pessoa, saber lidar com a dinâmica e a pressão desse ambiente. Não tenho dúvidas de que estamos indo na direção certa.”

Temporada de adaptação vista como fundamental para 2026
A leitura interna da Mercedes é compartilhada também pelo departamento de motores. Hywel Thomas, chefe da Mercedes High Performance Powertrains, considera essencial que Antonelli tenha vivido 2025 antes da grande mudança regulatória de 2026.
“A gente sabe, inclusive pelo simulador, que o carro do ano que vem vai exigir um estilo de pilotagem diferente”, explicou. “Seria extremamente difícil para alguém estrear justamente em um ano de mudança tão grande.”
Thomas destacou ainda a integração de Antonelli com a estrutura da equipe, inclusive com visitas frequentes a Brixworth, sede do departamento de motores.
“Ele já conhece o time, faz parte do time. Está envolvido nas discussões técnicas sobre tudo o que vai mudar. Estou muito satisfeito por ele ter corrido este ano.”
Um projeto de longo prazo
A mensagem da Mercedes é clara: Antonelli não está sendo avaliado apenas por resultados imediatos. A equipe entende que oscilações fazem parte do processo e aposta que o investimento feito agora renderá frutos apenas no médio e longo prazo.
Com apenas 19 anos, o italiano segue como um projeto estratégico da Mercedes para a nova era técnica da Fórmula 1 — com paciência, margem para erros e uma expectativa de crescimento progressivo até o fim da década.
