Equipe revela carro criado para a maior revolução técnica da história recente da F1
A Fórmula 1 entrou oficialmente em sua nova geração técnica, e a Mercedes fez questão de marcar posição logo no primeiro movimento. Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, a equipe apresentou o W17 E Performance em seu evento digital de lançamento da temporada, oferecendo uma visão detalhada do projeto que nasce para a maior revolução regulatória da história recente da categoria.
Mais do que revelar um carro, a Mercedes usou o lançamento como um manifesto técnico e estratégico para 2026. O W17 foi concebido integralmente sob o novo regulamento, que redefine praticamente todos os pilares do carro: chassi menor, mais leve e mais estreito, aerodinâmica ativa, nova arquitetura híbrida e combustíveis sustentáveis de última geração desenvolvidos em parceria com a Petronas.
“2026 representa um momento decisivo para a equipe e para o esporte”, afirmou Toto Wolff, CEO e chefe da equipe. “As novas regras vão testar cada área da organização, mas também criam oportunidades reais de inovação e de estabelecer novos padrões de performance. Entramos nessa nova era com ambição clara, execução focada e compromisso absoluto com resultados.”
Uma nova geração de motores
No centro do projeto está a nova unidade de potência desenvolvida pela Mercedes AMG High Performance Powertrains, em Brixworth. O motor de 2026 adota uma divisão praticamente igual entre potência elétrica e combustão, elimina o MGU-H e amplia de forma significativa o papel do MGU-K, que passa de 120 kW para 350 kW.
Além disso, o conjunto opera com combustível sustentável avançado, formulado como solução “drop-in”, alinhado à estratégia de redução do impacto de carbono da Fórmula 1.
Segundo Hywel Thomas, trata-se de um desafio sem precedentes. “Nunca enfrentei algo assim. Nova arquitetura de motor, combustíveis sustentáveis, maior eletrificação e um carro completamente novo, tudo ao mesmo tempo. Não é uma evolução, é uma revolução”, explicou. “O ritmo de aprendizado será crítico. Não há espaço para ciclos longos de desenvolvimento. Eficiência deixa de ser discurso e passa a ser missão.”
A integração entre Brixworth e Brackley foi apontada como peça-chave para garantir robustez térmica, eficiência energética e coerência entre motor, chassi e aerodinâmica.
Chassi menor, aerodinâmica ativa e nova lógica de corrida
O W17 também reflete de forma direta o novo conceito de carro imposto pelo regulamento. O entre-eixos foi reduzido em 200 mm, a largura diminuiu 100 mm e o peso mínimo caiu cerca de 30 kg. A aerodinâmica ativa, com asas dianteira e traseira móveis, substitui o DRS, agora aliado a modos de energia e ultrapassagem baseados na gestão elétrica.
“O que muda em 2026 não é um detalhe, é tudo”, explicou o diretor técnico James Allison. “Unidade de potência, chassi, aerodinâmica, pneus — tudo foi redesenhado ao mesmo tempo. É empolgante e assustador na mesma medida.”
Allison destacou que a equipe precisou tomar decisões corajosas ainda na fase de projeto. “Agora que os carros estão andando, o desafio passa a ser aprender rápido e evoluir sem parar. Mudanças regulatórias são o motor do progresso na F1. Elas trazem pressão, mas também oportunidade.”

Continuidade no cockpit e reforço na base
No cockpit, a Mercedes mantém a dupla formada por George Russell e Kimi Antonelli, após uma primeira temporada sólida juntos em 2025. Russell venceu duas corridas e terminou o campeonato em quarto, enquanto Antonelli mostrou maturidade precoce, com pódios e uma pole em Sprint em Miami.
Fred Vesti assume o papel de terceiro piloto, com foco em simulador, apoio em fins de semana de corrida e programa ativo no IMSA. A equipe também ampliou seu grupo de pilotos de desenvolvimento com a campeã da F1 Academy, Doriane Pin, o vencedor de corridas da F2 Joshua Dürksen e a permanência de Anthony Davidson como referência no trabalho de simulador.
“George, Kimi e Fred representam exatamente o que buscamos no nosso programa de pilotos”, resumiu Wolff. “Talento, inteligência, comprometimento e capacidade de trabalhar em conjunto. Em uma era como a de 2026, essa colaboração será decisiva.”
Nova identidade para uma nova era
Visualmente, o W17 também marca uma transição. A nova pintura mantém o DNA da equipe, mas com linguagem mais agressiva e fluida. O verde da Petronas atravessa o carro em uma linha contínua que conecta o tradicional prata da Mercedes ao preto dominante, enquanto detalhes geométricos inspirados na AMG reforçam a identidade técnica do projeto.
Após a divulgação dos renders em 22 de janeiro, o W17 já foi à pista no mesmo dia em Silverstone e completou três dias adicionais de testes em Barcelona. Com isso, a Mercedes encerra a fase inicial de apresentação e entra definitivamente no processo de entendimento fino de um carro que nasce para redefinir os parâmetros da Fórmula 1.
