A temporada 2026 da Fórmula 1 promete uma intensa corrida por desenvolvimento técnico, e isso pode colocar a McLaren em uma posição desafiadora na busca por equilíbrio entre Lando Norris e Oscar Piastri. A avaliação é de Karun Chandhok, ex-piloto e comentarista, que acredita que o ritmo frenético de atualizações pode obrigar a equipe campeã de 2025 a tomar decisões difíceis ao longo do ano.
A F1 inicia uma nova era com mudanças profundas no regulamento técnico, incluindo nova unidade de potência e filosofia aerodinâmica revisada. Antes da abertura do campeonato na Austrália, as equipes terão um período crucial de adaptação, começando pelos testes privados em Barcelona ainda este mês. Segundo rumores no paddock, os carros que alinharem no grid de largada em Melbourne serão bem diferentes dos vistos durante o primeiro teste, e estes também devem evoluir consideravelmente até o fim do campeonato.
Diante desse cenário, Chandhok prevê uma verdadeira disputa nos bastidores pelo ajuste de pacotes aerodinâmicos e sistemas, algo que deve gerar pressão adicional sobre todas as equipes. “A primeira metade da temporada pode envolver uma espécie de scramble por upgrades enquanto os times coletam dados e aceleram o desenvolvimento”, avaliou.
No caso da McLaren, que adotou ao longo de 2025 uma postura de igualdade interna, a situação pode ser ainda mais delicada. A equipe inglesa tem se mostrado contrária a ordens de equipe e procurou garantir que Norris e Piastri recebessem atualizações simultâneas, uma política conhecida informalmente como “papaya rules”. A estratégia funcionou em 2025, quando ambos estiveram competitivos, com Norris conquistando o título e Piastri sendo um forte adversário até as últimas etapas.

Mas Chandhok considera difícil manter essa neutralidade diante do novo regulamento. “Eu gosto da forma como a McLaren tem corrido”, disse no programa da Sky Sports F1. “Acho bom para o espetáculo e todos nós temos nos divertido assistindo. Mas, por dentro, certamente não tem sido simples de administrar.”
Com o ritmo acelerado de desenvolvimento previsto para 2026, o comentarista vê possíveis situações em que apenas um dos pilotos receberá atualizações no carro. “No próximo ano, a taxa de evolução será muito alta e até agora eles conseguiram fazer com que os dois recebessem upgrades ao mesmo tempo. Mas pode haver momentos, especialmente no início, em que só existe uma peça pronta. Então, o que fazer?”, questionou.
Caso o ritmo de desenvolvimento influencie diretamente a performance, o tema pode ganhar ainda mais peso na disputa pelo título. Norris e Piastri chegam ao novo ano como favoritos, e qualquer vantagem técnica pode se tornar decisiva no longo campeonato que se inicia.
Para a McLaren, o desafio será equilibrar a competitividade interna com a necessidade de se manter na frente da concorrência. E, em uma Fórmula 1 que entra em novo ciclo com grandes incógnitas, as escolhas feitas nos bastidores podem dizer tanto quanto o desempenho na pista.
