F1: Leclerc vê risco em alteração técnica prevista para 2027

A possível revisão das regras das unidades de potência para 2027 segue gerando debates na Fórmula 1, e Charles Leclerc acredita que o processo será mais complicado do que muitos imaginavam. O piloto da Ferrari destacou que qualquer mudança vai precisar preservar a igualdade entre as equipes, algo que considera difícil de alcançar.

Essa discussão ganhou força diante da insatisfação de parte do paddock com o regulamento atual de motores. A proposta em análise prevê alterar a divisão de potência entre o motor a combustão e a eletrificação, passando da configuração de 50% para cada sistema, para uma proporção de 60% elétrica e 40% a combustão.

Após o GP de Miami, a impressão era de que havia consenso entre as equipes sobre a necessidade da mudança. No entanto, durante o final de semana do GP do Canadá, a situação se tornou mais complexa. Segundo diversos relatos, Ferrari, Audi e Cadillac estariam entre as equipes contrárias à proposta, o que impede um acordo neste momento.

O tema é especialmente sensível, porque a alteração seria feita apenas um ano após a introdução de um dos maiores pacotes de mudanças regulatórias da história da categoria. As equipes investiram anos de trabalho para desenvolver seus projetos e se preparar para as novas exigências técnicas.

Leclerc reconheceu que os debates em andamento são positivos e que algumas medidas já caminham na direção correta: “Antes de tudo, acho que já houve alguns passos na direção certa. Isso é suficiente? Acho que ainda existem outras medidas que podemos tomar. Quais precisamos tomar é outra questão”, afirmou.

Charles Leclerc (MON) Scuderia Ferrari.
Foto: XPB Images

O piloto da Ferrari destacou que é preciso cautela para evitar que o trabalho realizado pelas equipes ao longo dos últimos anos, perca valor com uma nova mudança repentina no regulamento: “Precisamos ter cuidado para garantir que essas regras, que representam uma grande mudança, não alterem o equilíbrio do que foi feito nos últimos anos”, disse ele.

Para o monegasco, esse é justamente o aspecto mais delicado das negociações: “Esse é o ponto mais complicado. Precisamos fazer algo para melhorar a situação, sem dúvida, mas devemos ser cautelosos na forma como fazemos isso, porque cada equipe tem projetos muito diferentes e maneiras distintas de abordar essas regras”, acrescentou.

Leclerc concluiu afirmando que encontrar uma solução equilibrada para todos os envolvidos será um desafio considerável: “Encontrar algo que faça sentido para todos e que seja justo para todos é muito mais complexo do que imaginávamos. Será difícil encontrar algo que seja bom para todos, mas sei que todos estão trabalhando para isso”, completou.