F1: Komatsu acredita em muitos erros e perdas de tempo no início da temporada

Ayao Komatsu, chefe da Haas, alertou que as novas regras técnicas da Fórmula 1 para 2026, podem provocar perdas significativas de tempo nas primeiras etapas da temporada, à medida que pilotos e equipes se adaptam ao novo conceito de unidades de potência e à gestão de energia na pista.

O novo regulamento introduziu uma mudança profunda no funcionamento dos motores, que agora operam com uma divisão de 50% entre energia elétrica e combustão interna. Além disso, o MGU-H foi eliminado, enquanto a potência do MGU-K aumentou de 120 kW para 350 kW, exigindo uma abordagem completamente diferente por parte dos pilotos.

Segundo Komatsu, os testes de shakedown coletivo realizados em Barcelona, deixaram claro que os carros se comportam de forma muito distinta em relação ao que os pilotos estavam acostumados. A partir de agora, eles precisam decidir com precisão quando usar a energia disponível para atacar e como recuperá-la de forma eficiente depois.

Questionado se as perdas de tempo poderiam ser pequenas, Komatsu foi direto: “Se fosse apenas um décimo, eu ficaria feliz”, afirmou. Para ele, os erros serão facilmente perceptíveis. “Em termos de visibilidade para os fãs, eles vão perceber imediatamente se alguém não estiver usando a energia corretamente”.

O dirigente explicou que situações simples podem escancarar o problema: “Por exemplo, no início de uma volta rápida, entrando em uma reta longa antes da curva 1, se alguém não estiver rápido logo de cara, as pessoas vão dizer: ‘Não fez corretamente’. Isso vai ser muito visível, especialmente no começo”, afirmou.

Komatsu acredita que durante os testes no Bahrein, esse comportamento já poderá ser observado: “Tenho certeza de que vocês vão ver simulações de classificação e o quão consistente cada um consegue ser”, afirmou. Ele destacou que a recuperação de energia depende fortemente das condições e da atuação do piloto, além de exigir um software extremamente robusto. “Há mais vulnerabilidade no início da temporada”, destacou.

F1 2024, Fórmula 1, Bahrein, Sakhir
Foto: XPB Images

O chefe da Haas alertou ainda para a magnitude das perdas: “Se algo der errado, vai ser bem óbvio, porque não estamos falando de um décimo. Você pode perder meio segundo, seis décimos, sete décimos muito facilmente. Essa é a parte assustadora”, disse ele.

Diante desse cenário, Komatsu afirmou que seus pilotos, Oliver Bearman e Esteban Ocon, precisarão trabalhar de forma ainda mais integrada com os engenheiros de corrida, Ronan O’Hare e Laura Mueller, para extrair o máximo de cada volta.

Sobre a possibilidade de erros serem atribuídos mais aos pilotos ou aos engenheiros, ele foi claro: “Sinceramente, acho que não dá para separar os dois nesse caso”. Para Komatsu, os novos regulamentos trazem desafios positivos e negativos. “Pilotos e engenheiros precisam trabalhar juntos de uma maneira muito mais integrada do que antes”, acrescentou.

Ele concluiu destacando o caráter coletivo do desafio: “Não dá para dizer que é mais culpa do piloto ou mais da equipe. É realmente um esforço conjunto”, completou.



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