F1: Jenson Button explica aposentadoria e admite que já não havia tempo para “fazer a lição de casa”

Campeão de 2009 diz que decisão passou pela exigência total do automobilismo moderno e celebra nova fase fora das pistas

Jenson Button colocou um ponto final definitivo na carreira como piloto profissional em 2025 — e, segundo ele próprio, a sensação é de alívio. Aos 45 anos, o campeão mundial de Fórmula 1 de 2009 revelou que a decisão de se aposentar passou menos por falta de prazer em correr e mais pela constatação de que já não conseguia dedicar ao esporte o nível de preparação que o alto rendimento exige hoje.

“Está muito bom. Muito bom mesmo”, disse Button em entrevista à Sky F1, ao ser questionado sobre como se sente após encerrar a carreira. Foi incrível. Uma jornada enorme, cheia de altos e baixos, uma verdadeira montanha-russa. Mas agora tenho uma nova jornada pela frente.”

Button é um dos nomes mais marcantes da Fórmula 1 moderna. Entre 2000 e 2017, disputou 306 GPs, conquistou 15 vitórias e entrou definitivamente para a história ao vencer o título mundial com a Brawn GP, em uma das campanhas mais improváveis da categoria. Após a última corrida pela McLaren, no GP de Mônaco de 2017, ele prolongou a carreira em outras frentes, competindo no WEC, em categorias de GT e também na NASCAR.

O limite entre correr e competir de verdade

O britânico explicou que, com o passar dos anos, ficou claro que não era mais possível “brincar” de correr. O nível de exigência física, técnica e mental, segundo ele, tornou-se incompatível com a rotina que passou a levar fora das pistas.

“Quando saí da Fórmula 1, foi justamente para correr em outras categorias. Eu ainda era jovem o suficiente para ser competitivo”, explicou.
“Passei pelo período da pandemia pensando se deveria voltar a correr em tempo integral. Tirei um ano, depois vieram aqueles dois anos com a Jota, que foram incríveis. Um time com clima de família, exatamente o que eu queria para encerrar minha carreira.”

Jenson Button
Foto: Williams F1

Foi justamente essa experiência que ajudou a cristalizar a decisão.
“Mas em corrida profissional você não pode mais levar como algo leve”, admitiu Button.
“Você precisa levar 100% a sério. Está competindo contra pilotos absurdamente talentosos, jovens que entram já no limite o tempo todo.”

E então veio a frase que resume o momento:
“Eu simplesmente não tinha mais tempo para fazer a lição de casa. Então era a hora.”

Um novo papel no paddock

Além de encerrar a carreira nas pistas, Button deixou em aberto que sua presença no automobilismo seguirá forte — agora fora do cockpit. Atualmente comentarista da Sky F1 e embaixador da Williams, ele indicou que a aposentadoria como piloto deve ampliar sua atuação na TV.

“Agora vocês vão me ver mais vezes”, brincou. “Sorte de vocês.”

No pano de fundo, a fala de Button toca em um ponto sensível do automobilismo moderno: nunca foi tão difícil permanecer competitivo por tanto tempo. A exigência técnica, a preparação minuciosa e a velocidade com que novos talentos chegam tornam o esporte cada vez menos permissivo para quem não consegue estar totalmente imerso no processo.



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