A Ferrari chamou a atenção no segundo dia de testes da pré-temporada da Fórmula 1 no Bahrein nesta quinta-feira (19), ao revelar um mecanismo único no seu aerofólio traseiro, surpreendendo a todos no paddock. A novidade se trata de um aerofólio que abre de forma ‘invertida’ durante a passagem pelas zonas de reta, uma inovação que pode mudar a forma como se lida com o arrasto aerodinâmico.
O novo sistema de abertura do aerofólio consiste na rotação do flap traseiro em 180°, colocando-o em uma posição oposta à natural, com o lado convexo para cima e o lado côncavo para baixo. Essa posição lembra a de uma asa de avião, o que resulta em uma redução drástica no arrasto aerodinâmico, muito maior do que a obtida pelos sistemas convencionais.
Esse movimento não apenas reduz o arrasto, mas também cria um efeito de ‘levantamento’ no carro. A mudança de ângulo da asa traseira aumenta a seção do difusor, o que induz um ‘stall’ controlado, diminuindo o arrasto gerado por ele. Em termos práticos, a Ferrari conseguiu uma vantagem significativa na redução da energia necessária para impulsionar o carro em trechos de alta velocidade.

Mesmo que essa vantagem possa variar de pista para pista, em circuitos rápidos como Monza, Spa, Las Vegas e Jeddah, a diferença da inovação pode ser substancial. Ela pode reduzir a dependência de energia nas retas e facilitar a recuperação durante as fases de ‘acelerar e desacelerar’, que todos os pilotos estão utilizando nas retas com os novos carros.
Ainda é incerto se essa inovação irá representar uma vantagem competitiva duradoura para a Ferrari, mas a equipe se destacou por sua leitura precisa do regulamento, explorando uma área não identificada dessa forma até então.
