F1: Hamilton quase correu pela Williams no início da carreira

Lewis Hamilton construiu sua grande carreira de sucesso na Fórmula 1, principalmente com a Mercedes, depois de uma passagem pela McLaren, onde conquistou seu primeiro título na categoria. Mas logo no início de sua carreira, o heptacampeão quase correu pela Williams.

A ligação de Hamilton com a McLaren vinha de longa data, desde que o jovem britânico se aproximou de Ron Dennis ainda nos tempos do Kart. Em 1998, Dennis viu potencial e ofereceu a Hamilton uma vaga no programa de desenvolvimento de pilotos da McLaren.

Depois de passar pelas categorias de base, Hamilton terminou em terceiro no campeonato britânico de Fórmula Renault em 2002, e conquistou o título no ano seguinte. Mas em 2004, um desentendimento surgiu entre a família Hamilton e a McLaren. Anthony, pai de Lewis, queria dar o salto para a GP2 em 2005, enquanto a McLaren preferia que o piloto permanecesse na Fórmula 3 Euro Series para mais uma temporada, após terminar seu ano de estreia na quinta posição.

A briga foi tão séria que Martin Whitmarsh, então dirigente da McLaren, até rasgou o contrato de Hamilton. Após esse rompimento, o time de gerenciamento de Hamilton procurou a Williams para negociar um acordo. Porém, as negociações fracassaram porque a BMW, parceira da Williams na época, não estava disposta a financiar o restante da carreira ainda júnior de Hamilton.

“Eles ligaram e disseram: ‘Podemos ir te ver?’,” disse Patrick Head, co-fundador da Williams, anos depois. “Eles entraram e disseram: ‘Ron Dennis nos dispensou’. Estávamos com a BMW na época e acho que Frank (Williams) ligou para Mario Theissen (diretor de motorsport da BMW) e disse: ‘Olha, esse cara parece ser muito bom e nos procurou pedindo ajuda’. Acho que Mario disse que eles não estavam preparados para dar nenhum apoio, e nós não estávamos em condições de financiá-lo. Para o grande aborrecimento de Frank, ele poderia ter tido Lewis em um carro da Williams.”

Algumas semanas depois, Hamilton retornou à ao programa júnior da McLaren e disputou mais uma temporada na F3, antes de subir para a GP2 em 2006, seu último ano antes de estrear na F1.

É quase impossível dizer como a carreira de Hamilton na F1 teria se desenrolado se ele tivesse entrado na categoria com a Williams em vez da McLaren. O piloto de 39 anos já falou sobre sua admiração pela equipe, afirmando em 2020, após a família Williams deixar o comando do time: “Eu me lembro de sonhar em pilotar o carro que Nigel (Mansell) teve, ou um dos carros de DC (David Coulthard). Mas nunca se tornou uma opção real para mim. E foi então que me mudei para a Mercedes.”

Em 2007, ano de estreia de Hamilton, a Williams tinha Nico Rosberg com um contrato de vários anos. Rosberg e Hamilton eram bons amigos na época, conhecidos desde o Kart. Os dois viriam a protagonizar uma famosa rivalidade na Mercedes quando a equipe de Brackley assumiu o domínio na era híbrida.

Hamilton teria sido um encaixe natural na equipe após a saída de Mark Webber, e a Williams provavelmente teria tentado mantê-lo a longo prazo, considerando suas raízes britânicas e talento nato.

No entanto, nos anos seguintes, a Williams foi pouco competitiva, terminando entre os seis primeiros apenas uma vez entre 2008 e 2013. No início de sua carreira, Hamilton provavelmente teria buscado um novo desafio em um carro mais competitivo, talvez até um caminho alternativo o levaria para a Mercedes.