A Fórmula 1 iniciou uma nova fase com os regulamentos de 2026, mas nem todos estão convencidos com o caminho adotado pela F1. Lewis Hamilton, agora piloto da Ferrari, afirmou que as novas regras são “ridiculamente complexas” e demonstrou preocupação com a dificuldade de compreensão tanto para pilotos quanto para torcedores.
O heptacampeão mundial participou da sessão da manhã do primeiro dia de testes no Bahrein com a Ferrari SF-26, completando 52 voltas. Seu melhor tempo foi 1min36s433, o que o colocou na sétima posição da tabela de tempos naquele período. Apesar do volume de voltas ser importante nesta fase de preparação, Hamilton deixou claro que o desempenho e a adaptação ao novo carro ainda estão longe do ideal.
Após sair do carro, o britânico conversou com a imprensa e adotou um tom cauteloso. Segundo ele, as condições de vento forte no circuito atrapalharam a avaliação inicial. “Não vou julgar agora. Não foi uma sensação ótima hoje por causa do vento. Estava muito rajado, talvez o pior que já vi aqui. Precisamos levar isso em conta, além de ser apenas o primeiro dia”, afirmou.
O ponto que mais chamou atenção em suas declarações, porém, foi a crítica direta à complexidade do novo regulamento técnico. A partir de 2026, os carros passam a ter uma divisão de potência mais equilibrada entre a parte elétrica e o motor a combustão, em um conceito próximo de 50 por cento para cada lado. Além disso, os modelos foram projetados para serem mais ágeis e eficientes.

Para Hamilton, entender todos os detalhes não é tarefa simples nem mesmo para quem está dentro do paddock. “Acho que nenhum fã vai entender isso. É tudo muito complexo, ridiculamente complexo. Eu estava em uma reunião outro dia em que explicavam tudo e, sinceramente, parece que você precisa de um diploma para compreender completamente”, disse o piloto.
O britânico também comentou sobre a sensação de performance do novo carro. Segundo ele, neste estágio inicial, os modelos de 2026 parecem mais lentos do que o esperado. “No momento, eles estão mais lentos que um GP2”, declarou, em referência à antiga categoria de base.
Vale destacar que testes de pré-temporada costumam envolver programas diferentes entre equipes, com cargas de combustível variadas e foco em confiabilidade, o que pode distorcer comparações diretas de tempo. Mesmo assim, as palavras de Hamilton indicam que a adaptação à nova geração de carros pode ser mais desafiadora do que muitos imaginavam.
Com mais dias de testes pela frente antes da abertura da temporada, equipes e pilotos ainda têm tempo para entender melhor o pacote técnico. Resta saber se, até o início do campeonato, a percepção de complexidade e falta de desempenho dará lugar a uma avaliação mais positiva sobre o futuro da Fórmula 1.
