A parceria entre Red Bull Racing e Ford para a temporada 2026 da Fórmula 1 vem sendo apresentada com otimismo, mas também acompanhada de cautela. A própria equipe, seus pilotos e a Ford reconhecem que o novo ciclo técnico trará riscos, especialmente no quesito confiabilidade da nova unidade de potência.
Durante o lançamento da pintura da Red Bull em Detroit, a discussão sobre o desempenho do novo motor foi inevitável. A Red Bull Ford Powertrains desenvolve uma unidade de potência inédita para 2026, ano em que a F1 terá uma divisão próxima de 50% entre energia elétrica e combustão. A expectativa é alta, mas há dúvidas sobre como o pacote se comportará nos primeiros quilômetros em Barcelona.
Questionado pelo GPblog sobre o maior desafio do novo motor, Isack Hadjar foi direto, embora com humor. “Como o motor explodindo, talvez”, disse o francês, arrancando risos. Em seguida, reforçou o tom realista: “Algo assim. Vamos ver, mas não podemos chegar confiantes demais. Vai acontecer coisa que a gente não planejou, e temos que nos manter tranquilos”.
Max Verstappen, por sua vez, adotou um tom mais sereno ao falar da confiabilidade da nova unidade de potência. “Eu não penso nisso. Acho que todos querem ser os primeiros, mas a gente só quer dar muitas voltas e ver onde precisa de atenção. Então, no momento, estou bem relaxado. Você não sabe, não tem ideia”, afirmou o tricampeão.

A cautela não se limita ao time principal. Os pilotos da Racing Bulls, Liam Lawson e Arvid Lindblad, também destacaram que os primeiros meses do novo regulamento giram em torno da confiabilidade, não da performance. Para eles, horas de simulador ajudam, mas só a pista mostrará o verdadeiro cenário após o início dos testes.
A Ford compartilha da mesma linha de pensamento. Mark Rushbrook, diretor global da Ford Racing, reconheceu em conversa exclusiva com o GPblog que o projeto é ambicioso, mas que ninguém dentro da marca subestima a complexidade do desafio. “Se surgirem obstáculos, não será por falta de dedicação”, afirmou o executivo.
Apesar do otimismo e até de rumores de que Red Bull e Mercedes teriam encontrado uma solução vantajosa no motor, a equipe não espera dominar imediatamente após a estreia das novas regras. A palavra de ordem é prudência.
Hadjar sintetizou essa visão ao falar sobre o início do campeonato de 2026. “Acho que no começo do ano, se você apenas terminar as corridas, já é um começo muito bom”.
Com isso, Red Bull e Ford deixam claro que enxergam 2026 como início de um novo ciclo, onde resistência e aprendizado terão mais peso do que velocidade bruta nas primeiras provas.
