Isack Hadjar iniciará a temporada de 2026 da Fórmula 1 vivendo, talvez, o maior desafio de sua carreira. Após apenas um ano na categoria, o piloto franco-argelino foi promovido à Red Bull no fim de 2025, ocupando a vaga de Yuki Tsunoda depois de uma temporada considerada convincente na Racing Bulls. O novato chegou a conquistar um pódio com a equipe, feito considerado impressionante.
Hadjar começou sua carreira na F1 de forma conturbada, com um acidente ainda na volta de apresentação do GP da Austrália, prova de abertura do campeonato. Apesar do acontecimento, que abalou emocionalmente o jovem, ele conseguiu se recuperar ao longo do ano, pontuando em 11 das 23 corridas disputadas e alcançando seu melhor resultado com o terceiro lugar no GP da Holanda, em Zandvoort.
A decisão da Red Bull também levou em conta o forte contraste entre os desempenhos de Tsunoda e Max Verstappen. Enquanto o holandês brigou pelo título até a etapa final em Abu Dhabi, o japonês somou apenas 30 pontos em 22 provas, chegando a ter uma das piores sequências da história da equipe. Diante desse cenário, o time austríaco entendeu que era o momento de apostar no jovem talento.

Hadjar recebeu a promoção com entusiasmo, mas tem consciência do tamanho da missão. Verstappen não costuma poupar companheiros de equipe, e o novo piloto da Red Bull já foi alertado até mesmo por ex-pilotos da equipe sobre a dureza da disputa interna. Ainda assim, ele inicia a temporada aceitando que será o segundo piloto.
Porém, nem tudo está fadado ao fracasso para Hadjar: as mudanças drásticas no regulamento da F1 podem favorecer o novato. Com novos carros e motores, todos os pilotos começam um ciclo de aprendizado, o que reduz a vantagem de experiência de Verstappen. Situação semelhante ocorreu em 2022, quando Sergio Pérez conseguiu acompanhar o ritmo do holandês no início do novo regulamento, garantindo sua permanência na equipe até 2024.
Além disso, Hadjar demonstrou uma forte capacidade de adaptação até aqui. Helmut Marko, ex-conselheiro da equipe, destacou a rapidez com que o piloto atingia bom ritmo nos treinos livres, mesmo em circuitos desconhecidos. Essa característica pode ser decisiva em um cenário técnico completamente renovado.
Apesar das incertezas e da pouca experiência, Hadjar chega a 2026 com as condições alinhadas a seu favor, mesmo estando ao lado de um tetracampeão mundial conhecido por “queimar” seus companheiros em pista. Caberá a ele aproveitar a oportunidade e provar que pode ser competitivo ao lado de Verstappen.
