Pirelli leva C3, C4 e C5 para Melbourne, enquanto China e Japão completam a rotação total da gama nas três primeiras etapas da temporada 2026
A temporada 2026 da Fórmula 1 começa oficialmente entre os dias 5 e 8 de março, com o GP da Austrália, em Albert Park. A etapa de abertura não inaugura apenas a nova geração técnica da categoria, mas também será o primeiro grande teste real para a gama de pneus definida pela Pirelli para este ano.
Para Melbourne, a fornecedora italiana selecionou os compostos C3, C4 e C5, ou seja, os três mais macios da gama 2026. A escolha indica uma abordagem voltada para desempenho e estratégia agressiva logo na primeira corrida do ano, especialmente em um circuito semipermanente como Albert Park, onde a evolução da pista ao longo do fim de semana costuma ser significativa.
O detalhe interessante é que, durante os testes coletivos no Bahrein, tanto o C4 quanto o C5 foram pouco utilizados pelas equipes. A maior parte do trabalho concentrou-se nos compostos médios e mais duros, priorizando simulações longas, confiabilidade e coleta de dados básicos dos novos carros. Isso significa que Melbourne será, na prática, o primeiro cenário competitivo real para os pneus mais macios da nova era.
Com os carros de 2026 apresentando maior dependência da eletrificação e aerodinâmica ativa, o comportamento dos compostos macios sob carga diferente de energia e distribuição de peso será um dos pontos centrais do fim de semana. O C5, especialmente, chega como incógnita estratégica, já que ainda há poucas referências públicas sobre sua degradação em ritmo de corrida com os novos modelos.

A Pirelli já definiu também as escolhas para as duas etapas seguintes do calendário, criando um contraste técnico interessante logo no início da temporada.
No GP da China, em Xangai, entre 13 e 16 de março, estarão disponíveis os compostos C2, C3 e C4, uma combinação intermediária, que tende a equilibrar durabilidade e performance em um circuito com retas longas e curvas de raio prolongado, como a curva 1 e o carrossel final.
Já no GP do Japão, em Suzuka, a terceira etapa do campeonato, a escolha recai sobre os compostos mais duros da gama: C1, C2 e C3. A decisão é coerente com o nível de exigência do traçado japonês, conhecido por suas sequências de alta velocidade, mudanças rápidas de direção e cargas laterais elevadas, especialmente no setor das “Esses”.
Com essa sequência — C3/C4/C5 na Austrália, C2/C3/C4 na China e C1/C2/C3 no Japão, as três primeiras corridas da temporada utilizarão, em conjunto, todos os compostos da gama 2026. Isso permitirá uma leitura técnica bastante ampla já no primeiro mês do campeonato, oferecendo às equipes e ao público uma visão inicial sobre degradação, estratégias de parada e comportamento térmico sob diferentes características de pista.
A Austrália abre a temporada com os pneus mais macios. A China equilibra o jogo. Suzuka testa a resistência máxima. Em três semanas, a Fórmula 1 terá colocado à prova toda a nova base técnica de 2026, e os pneus estarão no centro dessa equação.
