A Fórmula 1 enfrenta um momento de incerteza no calendário de 2026, e o GP da Arábia Saudita tenta manter sua posição na temporada em meio à crise no Oriente Médio. Com a escalada de tensões na região, as corridas programadas para abril em Bahrein e Jeddah passaram a ser alvo de dúvidas cada vez maiores.
A situação geopolítica, desencadeada após ataques militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, provocou impactos diretos na logística da categoria. A instabilidade já afetou atividades da Fórmula 1 na região e colocou em risco a realização das duas provas previstas para abril.
Um dos primeiros reflexos ocorreu ainda no fim de fevereiro. Um teste de pneus da Pirelli que seria realizado no Bahrein entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março precisou ser cancelado após o início dos ataques. Durante o período, o Irã lançou um míssil contra o centro de comando da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, localizado no Bahrein, além de ataques direcionados a cidades como Doha, Dubai e Abu Dhabi.
A situação também provocou forte impacto no transporte aéreo na região do Golfo Pérsico. O Aeroporto Internacional de Dubai foi um dos alvos de ataques, o que gerou grande interrupção nos voos e complicou ainda mais o cenário logístico para equipes, equipamentos e organização da Fórmula 1.

Nesse contexto, os dois eventos programados para abril passaram a ser analisados com cautela. O GP do Bahrein está marcado para o fim de semana entre os dias 10 e 12 de abril, enquanto o GP da Arábia Saudita está previsto para ocorrer na semana seguinte. Apesar disso, a possibilidade de cancelamento das provas passou a ser considerada como a solução mais provável neste momento, em vez de um adiamento para outra data do calendário.
A Fórmula 1 afirma que continua monitorando de perto a situação antes de tomar uma decisão definitiva. No entanto, existe um prazo cada vez mais próximo para a definição, já que a categoria precisa enviar o material logístico para Sakhir caso a corrida no Bahrein seja mantida.
Mesmo com esse cenário, os organizadores da corrida em Jeddah trabalham intensamente para preservar o evento no calendário. Ainda assim, o futuro da prova saudita está diretamente ligado ao que acontecerá com o GP do Bahrein.
Informações indicam que, se uma das duas etapas for cancelada, a outra também deve ser retirada do calendário. Isso colocaria a Fórmula 1 diante de um desafio adicional para reorganizar sua temporada.

Caso as duas corridas realmente sejam canceladas, a temporada de 2026 passará a ter apenas 22 provas, sem substituições para as etapas de abril. Isso criaria um intervalo incomum no campeonato, que ficaria sem corridas durante todo o mês.
Alguns circuitos europeus chegaram a ser cogitados como possíveis alternativas, incluindo Imola e Portimão. No entanto, o circuito italiano enfrenta um conflito de calendário, pois receberá a etapa de abertura do Mundial de Endurance da FIA no dia 19 de abril, justamente na data originalmente prevista para o GP da Arábia Saudita.
Mesmo se Imola fosse utilizada como substituta apenas para o Bahrein, a realização de eventos da Fórmula 1 e do WEC em finais de semana consecutivos representaria um desafio logístico significativo para o autódromo.
Diante desse cenário, caso não ocorram novos cancelamentos em outras etapas do campeonato, como Qatar ou Abu Dhabi mais adiante na temporada, a Fórmula 1 poderá ter em 2026 seu primeiro calendário com 22 corridas desde 2023.
