A FIA está buscando uma solução rápida e sem controvérsias para o crescente impasse técnico envolvendo as novas unidades de potência da Fórmula 1, com uma importante reunião acontecendo nesta quarta-feira (22) entre os fabricantes de motores e a entidade reguladora. O diretor técnico de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis, falou pela primeira vez sobre a situação e enfatizou que a prioridade da organização é evitar que o caso se arraste para os tribunais após a primeira corrida da temporada.
Nos últimos meses, surgiu a informação de que a Mercedes e a Red Bull Powertrains-Ford, desenvolveram um sistema para aumentar a razão de compressão de seus motores híbridos de 2026 para 18:1, ultrapassando o limite regulamentar de 16:1. Esse aumento na razão de compressão poderia proporcionar um ganho significativo de desempenho, estimado em até 0,3 segundos por volta, o que, em uma corrida como o GP da Austrália, poderia representar uma vantagem de até 17,4 segundos ao longo das 58 voltas.
O aspecto controverso da situação é que, embora a medição da razão de compressão seja feita em temperatura ambiente, nos pits, a implementação de metais expansíveis poderia permitir que o motor ultrapassasse o limite de 16:1 durante a corrida (com o motor em temperatura elevada), sem ser detectado.
Esse cenário gerou descontentamento entre os outros fabricantes de motores, como Ferrari, Honda e Audi, que se reuniram com a FIA para discutir possíveis soluções. Uma das alternativas seria implementar regras mais rígidas para a temporada de 2027.
Tombazis, no entanto, minimizou a situação, afirmando que a questão não é tão grave quanto a imprensa tem feito parecer: “Claro, todos são extremamente apaixonados e competitivos, e quando as pessoas estão nesse estado de espírito, isso pode criar uma certa cegueira para outros argumentos”, disse ele à Reuters, no Autosport Business Exchange. “Algumas pessoas apresentam seus pontos de vista como a única verdade. Infelizmente, as coisas nunca são completamente simples. É aí que entramos para garantir que esclareçamos essas questões”, afirmou.

Em relação a uma possível manifestação judicial, Tombazis não acredita que protestos serão feitos em Melbourne: “Eu acredito que vamos ficar bem. Nossa principal prioridade é garantir que não tenhamos controvérsias, porque queremos correr e não ficar sentados em tribunais e audiências após a primeira corrida”, completou.
A FIA agora busca uma solução para a disputa técnica antes que ela se intensifique, e quer evitar que o início da temporada seja marcado por questões judiciais e disputas públicas, garantindo que as equipes possam se concentrar no que realmente importa: a competição na pista.
