F1: FIA adota mudança defendida por Horner anteriormente

A FIA confirmou mudanças importantes para os carros da Fórmula 1 a partir de 2027, em uma decisão que acaba reforçando um alerta feito por Christian Horner em 2023. O ex-chefe da Red Bull Racing, havia criticado o conceito inicial das novas unidades de potência de 2026 e agora vê a categoria caminhar justamente na direção que defendia.

Quando as regras para a atual geração de carros começaram a ser desenvolvidas, Horner demonstrou preocupação com o equilíbrio entre combustão e energia elétrica nas então futuras unidades de potência. Segundo ele, o projeto poderia gerar carros semelhantes a um ‘Frankenstein técnico’, devido às concessões necessárias no desenvolvimento dos chassis.

Apesar das críticas iniciais, os carros apresentados nesta temporada agradaram visualmente aos fãs da Fórmula 1. As equipes aproveitaram a liberdade do novo regulamento para introduzir soluções inovadoras, entre elas a asa ‘Macarena’ da Ferrari. Ainda assim, Horner insistia que a divisão ideal de potência deveria seguir uma proporção de 60% para combustão e 40% para energia elétrica.

O dirigente também previa dificuldades relacionadas ao uso das baterias em retas mais longas. Assim como Max Verstappen, ele acreditava que os carros sofreriam com limitações na entrega de energia elétrica, obrigando os pilotos a fazer ‘lift and coast’ antes das curvas devido ao esgotamento da carga.

F1 2024, Fórmula 1, GP do Catar, Lusail
Foto: XPB Images

Na época, muitos contestaram a visão de Horner. Um dos principais opositores foi Toto Wolff, chefe da Mercedes, que acreditava que a equipe alemã estava à frente no desenvolvimento de sua unidade de potência e não queria abrir mão dessa vantagem competitiva. Também surgiram rumores de que a Red Bull buscava mudanças porque enfrentava dificuldades em seu próprio projeto de motor em parceria com a Ford.

No entanto, o cenário acabou tomando outro rumo. A Red Bull Powertrains-Ford conseguiu entregar um sistema competitivo, embora Verstappen tenha criticado o conceito desde o início. O tetracampeão não foi o único. Diversos pilotos e até chefes de equipe passaram a reclamar das características das novas unidades de potência após os testes de pré-temporada no Bahrein e as etapas da Austrália, China e Japão.

A pressão aumentou a ponto de Andrea Stella, chefe da McLaren, pedir mudanças imediatas. A FIA ouviu as reclamações de pilotos, equipes e fabricantes e promoveu ajustes antes do GP de Miami, quarta etapa do campeonato. Mesmo assim, as alterações foram consideradas insuficientes pelos competidores após a corrida.

Depois de uma nova reunião entre as partes envolvidas, a FIA confirmou mudanças mais profundas para 2027. A entidade decidiu aumentar em 50 kW a potência do motor a combustão por meio do aumento do fluxo de combustível, enquanto a parte elétrica será reduzida de 350 kW para 300 kW. Na prática, a categoria se aproxima justamente da divisão 60-40 defendida por Horner alguns anos atrás, algo que agora pode dar ao ex-dirigente da Red Bull um sentimento de ‘revanche’ após ter sido ignorado inicialmente.