As novas regras da Fórmula 1 voltaram a ser alvo de críticas, e um engenheiro que já trabalho na categoria, apresentou uma possível solução para reduzir os problemas observados nas corridas atuais. A principal preocupação envolve o impacto da nova bateria, que tem alterado o estilo de pilotagem e gerado situações consideradas artificiais na pista.
Com a nova geração de unidades de potência, cerca de 50% da potência total vem da energia elétrica, mas esse recurso não pode ser utilizado de forma contínua. Como consequência, os pilotos precisam adotar uma pilotagem considerada pouco natural para maximizar o desempenho, o que tem provocado perda de velocidade no fim das retas longas quando a bateria se esgota.
Esse comportamento também influencia diretamente as ultrapassagens, que passaram a depender da quantidade de energia disponível. A FIA chegou a testar uma pequena alteração no GP do Japão, reduzindo a energia disponível em voltas rápidas na sessão de classificação de 9MJ para 8MJ, mas a mudança não foi suficiente para eliminar as críticas.
Diante do cenário, o ex-engenheiro de F1, Antonio Cuquerella, apresentou uma proposta baseada em simulações. O espanhol, que trabalhou em equipes como Super Aguri, BMW Sauber (atual Audi), HRT e Ferrari, utilizou o Autódromo Internacional de Miami como base para seus testes.
Na simulação com as regras atuais, os carros apresentaram perda significativa de desempenho nas duas retas mais longas do circuito, entre as curvas 8 e 11 e entre as curvas 16 e 17. A redução de velocidade ocorreria ainda na metade das retas, com um total de 230 metros de perda de desempenho, cenário semelhante ao observado em Suzuka.

Cuquerella então testou diferentes combinações, alterando potência máxima da bateria, capacidade de recarga e velocidade de transição de potência. Após sete simulações, duas configurações eliminaram completamente o problema, e uma delas foi considerada a mais equilibrada em termos de segurança e desempenho.
A proposta final reduz a potência máxima da bateria de 350 kW para 200 kW, alterando a divisão entre motor a combustão e energia elétrica de 50/50 para 64/36. Além disso, a capacidade máxima de energia seria reduzida de 9 MJ para 6 MJ, enquanto a velocidade de transição cairia de 100 kW/s para 50 kW/s.
Segundo essa análise, a solução traria vantagens como eliminação do chamado ‘superclipping’, maior segurança, velocidade máxima alcançada no fim das retas e corridas mais naturais, com menos necessidade de economizar energia. Por outro lado, haveria desvantagens, como menor velocidade máxima, aceleração mais lenta e perda estimada de 1,4 segundo por volta em Miami.
A proposta é vista como um possível equilíbrio entre desempenho e qualidade das corridas. Resta agora saber se a FIA, a Fórmula 1 e as equipes adotarão medidas semelhantes nas próximas semanas.
