A Fórmula 1 pode enfrentar uma nova mudança no equilíbrio competitivo a partir de junho, após a FIA anunciar um teste revisado para a taxa de compressão dos motores. No entanto, Bernie Collins, ex-engenheira de desenvolvimento da Force India (atual Aston Martin) e da McLaren, levantou dúvidas sobre a eficácia da nova verificação, apontando uma grande diferença entre a temperatura do teste e as condições reais de funcionamento.
Essa nova medição, chamada de ‘teste quente’, entrará em vigor em 1º de junho e será realizada a 130°C. Collins destacou que os motores da Fórmula 1 operam em temperaturas muito mais altas, que podem chegar entre 350°C e 400°C, o que pode reduzir o impacto prático dessa mudança.
A taxa de compressão dos motores se tornou um dos principais temas antes do início da temporada 2026, com a Mercedes sendo apontada como uma das equipes no centro das discussões. Segundo especulações, a equipe teria encontrado uma forma de atender ao teste atual, realizado em temperatura ambiente, enquanto aumentava a compressão quando o motor operava em condições mais quentes.
O possível ganho de desempenho variava, dependendo das fontes, desde um impacto mínimo até alguns décimos por volta. Enquanto isso, a Mercedes iniciou a temporada de forma dominante, garantindo a primeira fila do grid de largada em todas as etapas até agora, em Melbourne, Xangai e Suzuka, além de vencer todas as corridas disputadas, ainda que Ferrari e, mais recentemente, McLaren tenham aumentado a pressão.
Falando no podcast ‘The F1 Show’, da Sky, Collins explicou que esse tipo de situação não é incomum na categoria: “A primeira coisa a dizer é que isso não é novo na Fórmula 1, e é uma das coisas que eu adoro na engenharia e inovação na categoria. Todos leem o regulamento e pensam no que as regras dizem, e mais importante, no que elas não dizem, e como podem passar no teste”, afirmou.

Ela também comparou a situação com mudanças feitas anteriormente no regulamento: “A verificação é feita com certos testes. Tivemos isso no ano passado com as asas traseiras, quando mudamos o teste no meio da temporada para evitar a flexão. A taxa de compressão é a mesma coisa”.
Collins ainda explicou o funcionamento básico do conceito: “Você pega ar e combustível, comprime, e isso gera a explosão do motor. Quanto mais comprimir, maior será essa explosão. A crença é que a Mercedes está comprimindo mais”, acrescentou.
Apesar da mudança prevista, Collins destacou que ainda é cedo para avaliar o impacto real: “Não sabemos que diferença o teste vai fazer. A Mercedes já disse várias vezes que isso não vai afetá-los. Assim como nas mudanças das asas traseiras, não sabemos como isso vai afetar qualquer equipe”, completou.
A Mercedes lidera o campeonato de construtores com quarenta e cinco pontos de vantagem sobre a Ferrari. Entre os pilotos, Kimi Antonelli ocupa a liderança, com nove pontos à frente do companheiro de equipe George Russell.
