A Fórmula 1 iniciou a temporada 2026 cercada por discussões técnicas envolvendo as unidades de potência, e a relação entre equipes fornecedoras e clientes voltou ao centro do debate. Após especulações envolvendo a Mercedes na abertura do campeonato na Austrália, pilotos de equipes que utilizam motores Ferrari apresentaram visões diferentes sobre o acesso às informações fornecidas pela fabricante italiana.
O tema ganhou força no paddock porque McLaren, Williams e Alpine, clientes da Mercedes, teriam questionado o nível de dados compartilhados pelo fornecedor alemão. Em meio a essa discussão, pilotos de equipes que utilizam a unidade de potência da Ferrari comentaram como funciona o acesso às informações técnicas dentro de suas próprias estruturas.
Oliver Bearman, que corre pela Haas, afirmou que a equipe americana recebe suporte significativo da Ferrari no que diz respeito à gestão de energia e ao uso do motor. O britânico destacou que a colaboração entre as duas equipes tem sido ampla e positiva.
Segundo Bearman, a fabricante italiana tem sido bastante aberta ao compartilhar informações importantes para o desempenho do carro. “A Ferrari tem sido incrivelmente aberta e muito prestativa em relação à estratégia de uso da energia, compartilhando o máximo de informações possível para ajudar”, afirmou o piloto.

O competidor da Haas também ressaltou que existem diferenças estruturais relevantes entre os carros das duas equipes. Por isso, na visão dele, a situação não pode ser comparada diretamente com o relacionamento entre Mercedes e McLaren, que possuem projetos tecnicamente mais próximos.
“Existe uma diferença maior entre os carros da Ferrari e da Haas”, explicou o piloto britânico. Esse fator, segundo ele, influencia na forma como os dados são utilizados e interpretados pelas equipes.
Em outro lado do paddock, Sergio Pérez apresentou uma avaliação diferente sobre o acesso às informações técnicas fornecidas pela Ferrari. O mexicano, que compete pela Cadillac, disse que o nível de dados disponíveis para sua equipe é mais limitado.
De acordo com Pérez, a Cadillac ainda está em um processo de aprendizado na Fórmula 1, trabalhando para compreender melhor o funcionamento da unidade de potência fornecida pela Ferrari. A equipe americana utiliza os motores italianos enquanto desenvolve seu próprio projeto de unidade de potência.
“Obviamente estamos aprendendo, pilotos e engenheiros trabalhando juntos”, afirmou o piloto. Ele explicou que, por ser uma equipe cliente, a Cadillac não possui o mesmo acesso às informações disponíveis para a Ferrari.

“As nossas opções são bastante limitadas em relação à Ferrari ou ao que podemos obter deles”, acrescentou o mexicano. Essa limitação técnica faz parte do processo de adaptação da equipe ao campeonato.
Pérez também destacou que o desempenho atual do carro complica ainda mais a análise da gestão de energia. Segundo ele, a Cadillac enfrenta dificuldades para extrair o máximo do conjunto mecânico.
“É muito difícil para nós porque estamos cerca de três segundos atrás”, disse o piloto. “Isso torna realmente complicado conseguir extrair o máximo do uso de energia e da estratégia que eles utilizam.”
Mesmo assim, o mexicano acredita que a equipe precisa continuar evoluindo nesse aspecto técnico. Para ele, o trabalho conjunto entre engenheiros e pilotos será fundamental para reduzir a diferença em relação aos concorrentes ao longo da temporada.
