F1: CEO da McLaren pede revisão das regras para impedir parcerias como Red Bull/AlphaTauri

A relação próxima entre Red Bull e AlphaTauri na Fórmula 1 vem gerando polêmica há tempos, e o CEO da McLaren, Zak Brown, voltou a tocar no assunto, exigindo mudanças imediatas nas regras. Brown, que já havia criticado duramente a situação em uma carta aberta no final de 2023, reforçou sua posição, chamando o modelo atual de ‘obsoleto’ e prejudicial ao fair play na categoria.

O alvo da crítica de Brown é a estreita colaboração técnica entre as duas equipes. Com a AlphaTauri (ex-Toro Rosso) sob o controle da Red Bull desde 2006, a equipe tem sido usada frequentemente como plataforma para pilotos jovens do time principal. A partir deste ano, a parceria vai se intensificar, com a AlphaTauri comprando o número máximo permitido de peças da Red Bull de acordo com as regras.

Para Brown, essa relação privilegiada desequilibra a concorrência e fere o espírito da Fórmula 1. “Eu acho que as regras estão bem claras”, disse Brown à imprensa. “No entanto, elas precisam ser urgentemente revisadas e modificadas.”

O argumento do CEO da McLaren é que o modelo de propriedade ‘A-B’, onde uma equipe controla outra, era justificado por razões que já não se aplicam. “Isso era antes do teto de gastos e da enorme disparidade entre nosso orçamento, o da Mercedes e os das Force Indias da época. Era para ajudar as equipes menores.”

Com o teto de gastos em vigor e as finanças mais niveladas, Brown considera a aliança ainda mais injusta. “Agora que temos um limite financeiro, que eu acredito que todos estão respeitando, o campo de jogo é muito mais equilibrado financeira e igualmente. Portanto, precisamos manter a justiça para os fãs e para o esporte. Ter equipes formando parcerias, eu acho que vai contra o espírito da definição de um Construtor.”

Além de beneficiar a AlphaTauri, Brown acredita que a Red Bull também usufrui indevidamente dessa proximidade. “Eu acho que isso não só ajuda a equipe B, mas também a A. Não se trata de apenas uma equipe se beneficiando, eu acho que as duas se beneficiam. Qualquer outro grande esporte, que eu saiba, não permite isso”, acrescentou.

Para ilustrar o risco à integridade da F1, Brown cita um exemplo do futebol: “Imagine se uma equipe A e uma B se enfrentassem na última partida do ano da Premier League, e se a B perdesse, seria rebaixada. Esta não é uma posição que você quer ter no esporte, onde os fãs questionam o que está acontecendo em campo e se é justo.”

Diante do quadro, Brown exige uma revisão rápida das regras. “A F1 sempre tem regras, e eu não quero dizer que alguém está trapaceando, isso tem uma longa história, não apenas em torno de relacionamentos A-B, mas de várias regras. Mas eu acho que elas precisam ser abordadas rapidamente para garantir que tenhamos dez times independentes”, concluiu Brown.

A pressão de Brown e da McLaren é mais um capítulo na saga da controversa aliança Red Bull/AlphaTauri. Resta saber se a FIA e as demais equipes da categoria darão ouvidos e apoio ao assunto, buscando preservar o fair play e a igualdade de condições na Fórmula 1.