A Audi alertou que o desenvolvimento dos novos combustíveis sustentáveis, pode se tornar um fator decisivo de desempenho na Fórmula 1 a partir de 2026. Mattia Binotto, chefe do projeto da Audi na categoria, afirmou que uma escolha equivocada nessa área pode custar às equipes uma perda significativa de tempo por volta.
Em participação no podcast Terruzzi Racconta, o ex-chefe da Ferrari explicou que o combustível terá impacto direto no rendimento das novas unidades de potência. Segundo ele, a diferença entre um combustível bem desenvolvido e um inadequado, pode representar um ganho de 10 a 15 quilowatts, o equivalente a cerca de 15 cavalos de potência. Em termos de desempenho na pista, isso pode se traduzir em uma vantagem de até quatro décimos, ou até meio segundo por volta, dependendo do circuito.
“O combustível tem um impacto direto na performance do motor. A diferença entre um bom combustível e um ruim, pode valer de quatro décimos, até meio segundo”, afirmou Binotto. Ele reforçou que não se trata de ganhos marginais: “Se uma equipe errar completamente ou não desenvolver seu combustível de forma adequada, pode acabar perdendo quatro décimos apenas por causa do combustível”, disse ele.
Questionado sobre o efeito desse fator no equilíbrio do grid, Binotto acredita que o início do novo ciclo de regulamentos, deverá apresentar diferenças significativas entre as equipes, antes de uma convergência técnica gradual. Para ele, essas disparidades devem aparecer não apenas na aerodinâmica e no chassi, mas também nas unidades de potência.

Binotto destacou que o desempenho dependerá de vários elementos, incluindo tecnologia híbrida, motores elétricos, baterias e eficiência energética, além da combustão interna e dos novos combustíveis. Como exemplo histórico, ele citou o início da era híbrida em 2014, quando a Mercedes abriu uma vantagem expressiva sobre os concorrentes.
“Naquela época, a diferença para o resto do grid, incluindo a Ferrari, era de quase 100 cavalos. Em 2017, a Ferrari já disputava o campeonato com Sebastian Vettel, o que mostra que levou cerca de três anos para fechar aquela lacuna”, concluiu Binotto.
