F1: Aston Martin vive drama e revive fantasma de 2015

A Fórmula 1 encerrou os testes de pré-temporada no Bahrein com um cenário preocupante para a Aston Martin. Imagens captadas na quarta-feira mostraram Adrian Newey, Enrico Cardile, Lance Stroll e o proprietário Lawrence Stroll reunidos na varanda do prédio da equipe no circuito. O clima era tenso. Enquanto Stroll explicava o comportamento do carro, Newey reagiu com um suspiro profundo, num retrato claro da frustração interna.

O início havia sido promissor. Mesmo chegando atrasado ao shakedown em Barcelona, o novo carro chamou atenção pelo conceito agressivo. Newey apostou em soluções aerodinâmicas extremas, e a combinação com a unidade de potência Honda gerou expectativa de um pacote competitivo, especialmente considerando a estrutura técnica de ambas as partes.

Entretanto, a realidade nos testes oficiais no Bahrein foi diferente. Fernando Alonso e Lance Stroll escaparam da pista em diversas ocasiões, sinalizando um comportamento instável. Além disso, problemas de confiabilidade comprometeram o programa. A principal preocupação surgiu com uma falha na bateria no penúltimo dia, que fez o motor de combustão interna atingir rotações máximas de forma inesperada. O resultado foi praticamente a perda total da sexta-feira de atividades.

Segundo informações, a equipe chegou a contar com apenas uma bateria disponível no último dia, o que limitou drasticamente o número de voltas. Somando as três sessões de testes, a Aston Martin não alcançou sequer 400 voltas, número muito inferior ao de rivais como a Mercedes, que acumulou 1.204 giros.

F1: Aston Martin vive drama e revive fantasma de 2015
Foto: Divulgação / Aston Martin / Honda

A situação desperta lembranças incômodas. Em 2015, Honda e Fernando Alonso enfrentaram dificuldades semelhantes na parceria com a McLaren. Naquele período, a equipe sofreu com problemas recorrentes e falta de desempenho. No GP da Austrália daquele ano, Jenson Button cruzou a linha duas voltas atrás do líder, enquanto Alonso sequer participou da etapa após um acidente nos testes.

A parceria entre McLaren e Honda nunca conseguiu reduzir a diferença para os líderes e terminou ao final de 2017. Posteriormente, a fabricante japonesa encontrou sucesso com Toro Rosso e Red Bull, culminando em títulos com Max Verstappen.

Agora, o desafio reaparece sob novas cores. A expectativa criada em torno da combinação entre Aston Martin e Honda era alta, mas os sinais iniciais indicam um caminho complicado. A unidade de potência é descrita como complexa, com déficit de potência e fragilidade em confiabilidade.

Embora ainda seja cedo para conclusões definitivas, o início da temporada se aproxima e os problemas não parecem simples de resolver em curto prazo. A Fórmula 1 2026 começa com incertezas para a Aston Martin, que precisará reagir rapidamente para evitar que o passado volte a se repetir.