Combinação entre combustível da Aramco, know-how da Honda e liderança técnica pode colocar o time no mesmo patamar de performance pura
A Fórmula 1 de 2026 começa a ganhar contornos mais claros nos bastidores, e um deles envolve uma possível vantagem inicial de Mercedes e Red Bull Racing no novo ciclo técnico. Segundo relatos vindos da Europa, ambas teriam encontrado cerca de quatro décimos de segundo por volta ao explorar soluções ligadas à taxa de compressão dos cilindros acima do padrão de 16:1, quando o motor opera em temperatura ideal.
O ponto central é que essa vantagem, tratada como relevante em um regulamento completamente novo, pode não ser exclusiva. A Aston Martin aparece como a exceção capaz de neutralizar esse ganho — e não por acaso.
Combustível como diferencial estratégico
De acordo com informações publicadas pelo Grada3, o fator-chave estaria no combustível. A Aramco, parceira técnica e fornecedora exclusiva da Aston Martin, é apontada como a empresa mais avançada na preparação para a nova especificação de combustível da F1 em 2026.
A Aramco não atua apenas como patrocinadora. Desde 2022, a empresa fornece combustível para as categorias de base da FIA, e F2 e F3 passaram a utilizar, a partir de 2025, combustível 100% sustentável, com ao menos 70% de componentes sustentáveis — desenvolvido pela própria Aramco. Esse histórico é visto no paddock como uma vantagem concreta na curva de aprendizado.
O peso do combustível na equação de performance ficou claro quando a Shell, fornecedora da Ferrari, admitiu que seu projeto de combustível para 2026 começou ainda em 2022, quatro anos antes da estreia do novo regulamento. Em um cenário onde o motor térmico e a parte elétrica terão divisão quase equilibrada de protagonismo, eficiência energética passa a valer tempo de volta.

Neutralizando a vantagem de motor
Segundo os relatos, o combustível da Aramco poderia compensar integralmente os cerca de 0s4 que Mercedes e Red Bull teriam encontrado por meio da solução de compressão do motor. Na prática, isso colocaria a Aston Martin em igualdade de condições em performance pura de unidade de potência — algo que muda completamente o equilíbrio projetado do grid.
Esse cenário ganha ainda mais peso quando se considera o conjunto técnico da equipe. A Aston Martin contará em 2026 com motores Honda, que voltam à Fórmula 1 após entregar uma das unidades de potência mais competitivas da era recente, além da liderança técnica de Andy Cowell e da influência direta de Adrian Newey no projeto do carro.
Um pacote completo, não um truque isolado
Diferentemente de ciclos anteriores, o que se desenha para a Aston Martin não é uma aposta pontual ou um “truque” técnico isolado. Trata-se de uma convergência rara: combustível avançado, fabricante de motor experiente no novo regulamento híbrido, liderança técnica consolidada e uma estrutura que foi pensada desde o zero para 2026.
Se os rumores se confirmarem na pista, a Aston Martin pode não apenas acompanhar Mercedes e Red Bull no início da nova era, mas entrar no campeonato já como candidata real a vitórias. Em um regulamento que promete reduzir margens e punir qualquer erro conceitual, igualar uma vantagem de quatro décimos antes mesmo da primeira corrida pode ser o detalhe que muda toda a hierarquia do grid.
