Mesmo enfrentando dificuldades na pré-temporada, a Aston Martin afirma que já sente um impacto profundo com a chegada de Adrian Newey à equipe.
O AMR26 teve um início complicado nos testes. No Bahrein, o carro sofreu diversos problemas ligados à nova unidade de potência Honda, após já ter tido uma estreia tardia no shakedown de Barcelona. Na Espanha, Lance Stroll completou apenas seis voltas de instalação no último dia, nenhuma delas cronometrada, depois que Fernando Alonso enfrentou uma falha no dia anterior.
As dificuldades levaram a investigações tanto na fábrica da equipe, em Silverstone, quanto na sede da Honda, em Sakura, no Japão. O sistema de bateria foi identificado como o principal foco de preocupação.
Com a quilometragem limitada, a Aston Martin ainda não conseguiu avançar de forma consistente nos trabalhos de acerto e na exploração do potencial do novo carro, o primeiro projetado por Newey desde sua saída da Red Bull Racing.
O engenheiro britânico é o projetista mais bem-sucedido da história da Fórmula 1: seus carros conquistaram 12 títulos de pilotos, 14 de construtores e 223 vitórias em Grandes Prêmios.
Apesar dos contratempos, o ambiente interno parece ter mudado significativamente. O embaixador da equipe, Pedro de la Rosa, destacou o impacto imediato da liderança de Newey.
“Eu não acho que a equipe tenha mudado tanto; somos as mesmas pessoas. A diferença é que, desde que o Adrian chegou, a liderança dele é inquestionável”, afirmou.
De la Rosa explicou que, após um dia difícil no Bahrein, Newey participou das reuniões técnicas e deixou claro o caminho a seguir.
“Ele é muito claro sobre o que precisa ser feito, e ninguém levanta a mão para questionar. Antes, cada um poderia ter sua própria teoria sobre os problemas. Agora, todos trabalham na mesma direção.”
Segundo o espanhol, essa clareza tem efeito direto na eficiência do time.
“Você passa a ter uma quantidade enorme de recursos trabalhando em uma única linha de pensamento. Pode não parecer algo tão impactante para quem está de fora, mas ouvir os comentários dele, especialmente quando as coisas dão errado, é muito inspirador.”
De la Rosa ainda reforçou que a verdadeira importância de um líder aparece justamente nos momentos difíceis.
“Quando as coisas vão bem, você não precisa de um líder. É quando dão errado que ele faz a diferença. Ter o Adrian na equipe é um ponto de virada.”
Mesmo com um início turbulento em termos de confiabilidade, a Aston Martin aposta que a mudança cultural promovida por Newey pode ser o fator decisivo para transformar um projeto ainda embrionário em uma força competitiva na nova era da Fórmula 1.
