A Alpine promoveu uma mudança importante no projeto do carro de 2026 da Fórmula 1, no final de semana do GP de Miami. Após apenas três etapas, a equipe francesa abandonou a ousada solução de asa traseira apresentada no início da temporada e retornou a um conceito mais próximo do antigo DRS.
Essa alteração faz parte de um amplo pacote de atualizações levado para a etapa nos Estados Unidos. Além da nova configuração da asa móvel, a equipe também implementou um sistema de escapamento inspirado no FTM (Flick Tail Mode), conceito criado pela Ferrari para melhorar a eficiência aerodinâmica.
No início da temporada, a Alpine chamou atenção no paddock ao apresentar uma asa traseira com funcionamento diferente dos outros times. Em vez de levantar o flap móvel, o sistema empurrava a peça para baixo, permitindo que ela praticamente se deitasse em posição horizontal durante a abertura. A solução aproveitava a liberdade oferecida pelo regulamento técnico de 2026, que flexibilizou as regras sobre os mecanismos das asas móveis.
Apesar da inovação, a equipe decidiu mudar de direção rapidamente. Em Miami, o flap voltou a abrir para cima, em um conceito semelhante ao utilizado pelas demais equipes e também pelo antigo DRS usado até 2025. A diferença é que o novo regulamento ainda permite uma abertura mais ampla, com menos limitações nas extremidades da asa.
O time francês conseguiu levar apenas uma unidade da nova asa para a etapa norte-americana. O componente foi instalado no carro de Pierre Gasly depois de chegar à Flórida apenas na quarta-feira já na semana da corrida. Inicialmente, a introdução dessa atualização estava prevista apenas para o GP do Canadá, mas o cancelamento das corridas no Bahrein e na Arábia Saudita permitiu à fábrica de Enstone acelerar o cronograma de produção.
Franco Colapinto, por sua vez, utilizou a versão anterior da asa traseira em Miami. Ainda assim, o argentino recebeu outras novidades importantes no carro, incluindo um novo chassi mais leve, utilizado pela primeira vez após o dia de filmagens realizado em Silverstone. O piloto argentino terminou a corrida em sétimo lugar, seu melhor resultado na Fórmula 1.

As mudanças na asa exigiram revisões em diferentes áreas do conjunto aerodinâmico, incluindo as placas finais e o atuador. Segundo Steve Nielsen, diretor-geral da Alpine, o pacote apresentou os resultados esperados, embora a análise ainda seja limitada: “Acredito que esteja dando os resultados que esperávamos, mas é muito difícil avaliar tudo em uma única sessão de treinos livres quando se está trabalhando em tantos outros aspectos”, afirmou.
O dirigente também destacou que a equipe pretende seguir evoluindo ao longo da temporada: “As atualizações que trouxemos garantiram efetivamente um avanço. Obviamente, nossos concorrentes, especialmente os que estão à frente, fizeram ainda mais. Estamos satisfeitos com o que trouxemos, além de outras que chegarão em Montreal e será um processo constante ao longo do ano”, completou.
