A Aston Martin deixou o GP de Miami de Fórmula 1 com sinais de evolução na confiabilidade de seu projeto em parceria com a Honda. Depois de um início de temporada conturbado, os dois carros do time completaram a corrida sprint e a prova principal da quarta etapa do ano sem problemas graves, em um fim de semana considerado encorajador pela equipe.
Fernando Alonso terminou à frente do Cadillac de Sergio Pérez nas duas provas e afirmou que o AMR26 voltou a apresentar um comportamento normal, com as vibrações aparentemente resolvidas. Segundo o espanhol, porém, o próximo foco de desenvolvimento precisa ser o câmbio: “Sem problemas”, disse ele. “Honestamente, o problema durante todo o fim de semana foi mais o câmbio do que o motor, então não sei se foi a eletrônica ou algo assim.”
“Foi muito estranho nas reduções e nas subidas de marcha, então não estava muito bem controlado. Então essa é a correção número um para o Canadá. Acho que com todas essas freadas fortes no Canadá, precisamos melhorar o comportamento do câmbio no momento.”
O GP de Miami também serviu como etapa importante para avaliar as mudanças feitas pela Honda para conter a ressonância harmônica que afetava a confiabilidade desde o início do ano. A Aston Martin foi a única equipe a não levar atualizações de chassi ou aerodinâmica, priorizando a comparação direta dos dados.
Uma das soluções adotadas foi incomum: a equipe deixou um chassis AMR26 no Japão para testes na base da Honda em Sakura. A ideia foi analisar a interação entre unidade de potência e chassi em condições controladas. “Acho que estamos satisfeitos com isso, e acho que nossa parceira quer fazer mais”, disse Mike Krack.

“Deixamos um dos carros de corrida em Sakura para alguns testes em dinamômetro. A Honda é uma empresa enorme e tem muita experiência nisso. Isso nos ajudou a mitigar alguns dos problemas que estávamos tendo.”
Segundo Krack, o trabalho conjunto permitiu identificar melhor como as vibrações se propagavam entre os sistemas: “O caminho de transmissão é algo que você só tem com o carro de corrida real. Isso nos permitiu trabalhar nas interfaces e a Honda na origem do problema. Estou muito satisfeito com o resultado.”
Na Honda, Shintaro Orihara confirmou que as contramedidas apresentaram bom desempenho em pista: “Confirmamos que elas estão funcionando bem. Os pilotos também deram comentários positivos. Completamos a distância total da corrida e da sprint sem problemas graves de confiabilidade. Isso é um bom progresso.”
Orihara explicou ainda que a solução envolveu tanto chassi quanto unidade de potência. “É uma combinação. As vibrações vêm da energia que passa do chassi para a unidade de potência. Combinamos contramedidas dos dois lados e isso funciona muito bem. O próximo foco é otimizar o gerenciamento de energia e a dirigibilidade”, disse. “Ainda há muito espaço para melhorar.”
Krack destacou que a equipe agora vive uma fase de aprendizado mais consistente: “Em cada volta você aprende. E agora podemos competir e coletar dados reais. Se você não roda, não tem experiência com os pneus. Agora podemos aprender isso na prática.”
A Aston Martin ainda luta por seus primeiros pontos na temporada, assim como a Cadillac.
